Morreu Agustina Bessa-Luís, Doutora Honoris Causa da U.Porto

Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís foi distinguida pela Universidade do Porto com o título de Doutora Honoris Causa em 2005.

Agustina Bessa-Luís, a escritora que adotou o Porto como sua cidade e que a  Universidade do Porto homenageou, em 2005, com a atribuição do título de Doutora Honoris Causa, faleceu esta segunda-feira, aos 96 anos de idade.

Nascida em Vila Meã a 15 de outubro de 1922, Agustina Bessa-Luís foi pela primeira vez publicada em 1948, iniciando então uma carreira literária que foi desde cedo reconhecida pelos seus pares e que culminou na obtenção de diversos prémios literários, casos do Prémio Eça de Queirós (1954), Prémio Nacional de Novelística (1967), Prémio D. Diniz (1981), Grande Prémio Romance e Novela (1983 e 2001) e Prémio Camões (2004).

Aclamada como uma das maiores escritoras nacionais, autora de romances seminais como “A Sibila” ou “Vale Abraão”, foi também homenageada pela República Portuguesa com a atribuição da Ordem de Santiago da Espada (1980) e pelo governo francês com o título de Officier de l’Ordre des Arts e des Lettres (1989).

Para sempre ligada ao Porto e ao Douro, quer na sua obra como na sua vida pessoal, Agustina Bessa-Luís foi distinguida pela Universidade do Porto com o título de Doutora Honoris Causa a 22 de março de 2005, numa homenagem repartida com o poeta Eugénio de Andrade.

Agustina Bessa-Luís

Proposta pela Faculdade de Letras, a distinção homenageou “a mais produtiva e complexa personalidade feminina da literatura portuguesa”.

Uma distinção proposta pela Faculdade de Letras e que era então assim justificada na apresentação da doutoranda: “a produção literária [de Agustina Bessa-Luís] impressiona não só pelas qualidades, mas também pela quantidade e diversidade de géneros. Nesses textos se revela não só o seu muito saber da língua portuguesa, visível desde logo no uso de um vastíssimo léxico erudito e popular, rural e urbano, mas também o fulgor da sua inteligência, que não se conforma com visões ou lugares comuns e que gosta de vertigem e da ginástica ousada dos aforismos ou das sentenças, e ainda o seu muito conhecimento das paixões e dos comportamentos humanos”.

De facto, Agustina Bessa-Luís era já então reconhecida como “a mais produtiva e complexa personalidade feminina da literatura portuguesa”, tendo recebido a unanimidade dos votos no Senado da Universidade do Porto para a atribuição do grau de Doutora Honoris Causa.

Esta não foi, aliás, a única homenagem que a Universidade do Porto prestou à escritora. Um ano depois, em 2006, por ocasião do 181.º aniversário da Faculdade de Medicina, Agustina Bessa-Luís foi convidada para oradora principal da sessão do Dia da FMUP, tendo lido um conto inédito escrito pela própria para a ocasião. O conto “Uma Saudosa História” foi oferecido à faculdade pela autora e publicado no suplemento do volume 20 dos Arquivos de Medicina.

As cerimónias fúnebres realizam-se na Sé Catedral do Porto, na tarde do dia 4 de junho.

“Uma Saudosa História”, o conto inédito que Agustina Bessa-Luís ofereceu à FMUP por ocasião do seu 181.º aniversário (clique para ler texto na íntegra).