Morreu Alcino Soutinho, o arquiteto que “pensou” Matosinhos

Alcino Soutinho (Foto: DR)

Com Álvaro Siza Vieira, partilhou o gosto pela escultura e pela pintura. Com Fernando Távora, partilhou o amor pelo Porto. Com os dois (e não só), partilha o estatuto de figura central da “Escola do Porto”, corrente arquitetónica que ajudou a edificar enquanto professor da Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) e da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Figura destacada da Universidade e da arquitetura portuguesa, Alcino Soutinho faleceu este domingo, 24 de novembro, aos 83 anos de idade, vítima de cancro.

Nascido em Vila Nova de Gaia a 6 de novembro de 1930, Alcino Soutinho  formou-se na ESBAP, em 1957,aliando desde cedo o trabalho de arquiteto ao de docente, primeiro na ESBAP (a partir de 1972) e, mais tarde, na FAUP, pela qual se jubilou em 1999. No âmbito das suas atividades como académico e como arquiteto, proferiu conferências, participou em debates em Portugal e no estrangeiro,  publicou obras em livros e revistas de arquitetura, presidiu ao Centro Português de Design (1998-2001), à Assembleia-geral da Cooperativa de Atividades Artísticas Árvore (2003-2006) e à Ordem dos Arquitetos (1999-2002).

Em paralelo com a docência universitária, Soutinho desenvolveu uma intensa obra arquitetónica, reconhecida e premiada em todo o mundo. Entre os trabalhos mais emblemáticos destacam-se o projeto para o edifício da Biblioteca-Museu Amadeo de Souza Cardoso, em Amarante (1977 – Prémio AICA), a recuperação do Castelo de Vila Nova de Cerveira (1982 –  Prémio “Europa Nostra”), a Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, ou a renovação da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP), antiga “casa” da ESBAP. A consagração nacional e internacional chegaria contudo com o projeto dos Paços do Concelho de Matosinhos (1987), cidade onde projetou boa parte da sua obra mais conhecida e na qual foi distinguido com o título de Cidadão Honorário em 2007.

Das distinções que lhe viu serem atribuídas ao longo da carreira, destacam-se ainda o prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte (1984), as medalhas de Mérito e de Ouro das câmaras municipais de Matosinhos (1988 e 2007) e de Vila Nova de Gaia (1992 e 2011), e a Comenda da Ordem Militar de Santiago de Espada (1993). Em julho deste ano, foi galardoado, a par de Nuno Portas, outro dos professores históricos da FAUP, com a Medalha de Mérito Cultural pelo secretário de Estado da Cultura, uma distinção destinada ao “reconhecimento do talento e do mérito dos criadores portugueses das mais diversas áreas da cultura e das artes”.

O corpo de Alcino Soutinho vai estar em câmara ardente a partir das 15h00 desta segunda-feira, na igreja de Cristo-Rei, no Porto, de onde sairá, terça-feira, para o Tanatório de Matosinhos para a cerimónia de cremação.