Primeiro Congresso da U.Porto lança desafios para o ensino superior

Congresso da Universidade do Porto 2016 | Manuel Heitor e Sebastião Feyo de Azevedo

As intervenções de Manuel Heitor e de Sebastião Feyo de Azevedo marcaram o último dia do Congresso U.Porto 2016. (Fotos: Egídio Santos/U.Porto)

“As universidades devem ser organismos autónomos, onde a liberdade intelectual se assume como um valor inegociável”. Esta foi uma das principais conclusões apresentadas pelo Reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, na sessão de encerramento do primeiro Congresso da Universidade do Porto, que decorreu entre os dias 26 e 28 de outubro, em vários espaços da instituição.

Durante três dias, mais de 300 académicos e especialistas ligados ao ensino superior reuniram-se, no Porto, para “Pensar o Futuro” das universidades. Eduardo Marçal Grilo, ex-ministro da Educação, Stefan Collini, da Universidade de Cambridge, W. Graham Richards, da Universidade de Oxford e Jo Ritzen, ex-ministro da Educação, Cultura e Ciência da Holanda foram alguns dos oradores convidados.

No fecho do encontro, realizado no Edifício da Reitoria, Sebastião Feyo de Azevedo lembrou que “mais do que nunca, as universidades devem refletir sobre como querem agir e ser vistas, num mundo de constantes mudanças. Segundo o Reitor da U.Porto, “o ensino superior, em Portugal, tem desafios acrescidos, se pensarmos no contexto europeu e mundial”, motivo pelo qual “temos de trabalhar a forma como a Universidade cumpre todas as suas missões, a nível económico, social e político”.

Congresso da Universidade do Porto 2016

Evento reuniu nos diferentes espaços da U.Porto mais de 300 académicos e especialistas ligados ao ensino superior.

Antes, e numa intervenção breve e objetiva, Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, destacou dois aspetos críticos para o ensino superior. “As universidades devem adotar práticas de ensino baseado na investigação, onde a articulação e equilíbrio entre ambos são fundamentais para potenciar a produção de conhecimento e, consequentemente, a competitividade de Portugal. Devemos, para isso, estimular o emprego científico e promover o rejuvenescimento do corpo docente. Trata-se de um desafio que só é concretizado com a efetiva co-responsabilização coletiva”, salienta o governante.

Manuel Heitor exortou ainda as universidades a “dar tempo aos académicos e estudantes para aprenderem a pensar e a refletir. É neste contexto que é fundamental criar o ambiente científico adequado, que promova o contacto com atores externos”. E rematou:  “Temos de pensar na Universidade do Porto como um organismo integrado no espaço lusófono, europeu e atlântico. Espero, por isso, que seja pioneira a implementar as principais inovações e mudanças, capazes de posicionar Portugal, no contexto internacional”.

O Congresso da Universidade do Porto “Pensar o Futuro” cumpriu o compromisso de promvoer o debate interno sobre os desafios e oportunidades para a Universidade. “Universidade no Século XXI” , “Educação e Investigação no Mundo em Mudança”, “Terceira Missão das Universidades” e “O Governo das Universidades” foram os quatro grandes temas em análise.