Percurso arquitetónico de Alfredo Matos Ferreira em exposição na FAUP

SAAL Lapa (1974), Porto, área de expansão, novos edifícios em fase de construção, 1976, fotografia de Alfredo Matos Ferreira [1975-1977]

A Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e a Fundação Marques da Silva inauguram às 18 horas de 11 de dezembro, na Galeria da FAUP, a exposição “Alfredo Matos Ferreira. Da condição da arquitectura como expressão e sentido do comum”, que propõe uma abordagem ao percurso profissional, iniciado em 1950 e que se prolongou até 2001, do arquiteto Alfredo Matos Ferreira (1928-2015).

Patente até 2 de fevereiro de 2018, a exposição é realizada no contexto do programa delineado por ocasião da doação do acervo do arquiteto Alfredo Matos Ferreira à Fundação Marques da Silva e constitui o seu terceiro módulo expositivo, depois de “Terra d’Alva” e “Construir um paraíso perdido / Por uma casa livre”, ambas apresentadas na Casa-Atelier José Marques da Siva.

A FAUP, espaço herdeiro da escola de formação e local de exercício da prática docente, acolhe esta “abordagem ao todo da obra do arquitecto”. Desenhada e coordenada por Manuel Mendes, a exposição apresentará um panorama da obra construída, centrando-se depois em núcleos: escola, formação, ensino e, na Galeria, projecto-de-arquitectura.

“Em ‘Alfredo Matos Ferreira. Da condição da arquitectura como expressão e sentido do comum’ visa-se uma abordagem ao todo da obra do arquitecto. Tomou-se como referência o que em 1994 escreveu numa das introduções de “Memória” – “A via possível e talvez única é a de sistematizar um conjunto de conhecimentos que se situam, na área da arquitectura, dentro da tríade vitruviana, nas componentes funcional e técnica – utilitas e firmitas – para, dentro da terceira componente estética – venustas – não analisável como as duas primeiras, promover a pesquisa livre mas consciente e enraizada, no sentido de evitar o vazio e a sempre tentadora emergência de novos cânones” – para proceder a uma desconstrução do que Alfredo Matos Ferreira partilhou como leitura pessoal da sua obra, mostrando o que o seu arquivo reservou de documentação de época relativa ao processo projectual de cada trabalho”, refere Manuel Mendes, coordenador da exposição.

Alfredo Matos Ferreira (1928-2015), filho de pai médico e mãe pintora, nasceu em Lisboa, mas as suas raízes estão profundamente mergulhadas em Trás-os-Montes, circunstância que decididamente o orienta como pessoa, e lhe marca emoções e afectos, convicções e valores de vida. Arquiteto formado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, foi colega de Alberto Neves, António Menéres, Álvaro Siza, Luís Botelho Dias e Joaquim Sampaio, os amigos da “sala 35” da Praça da Liberdade. Colaborou com Arménio Losa entre 1971 e 1972, foi sócio de Fernando Távora no exercício profissional entre 1972 e 1982. O seu percurso arquitetónico estendeu-se por mais de 50 anos.

É autor de obra importante, mas pouco conhecida, no quadro da produção arquitetónica portuguesa da segunda metade do século XX. No seu arquivo reúne-se acervo patrimonial-artístico de assinalável valor documental de uma época, duma geração e, mais particularmente, do seu exercício de arquitecto: desenho, modelo, fotografia, filme. Ao longo dos últimos anos de vida reuniu memória(s) do seu trabalho profissional, movido pela curiosidade de revisitar o que tinha produzido, sintetizando os passos essenciais, os ensinamentos adquiridos, os vários intervenientes.

Daí surgiu a ideia de uma possível publicação – “Memória” – que associa, para além dos textos memória da autoria do próprio Matos Ferreira, textos de apresentação de Álvaro Siza, Sérgio Fernandez, Vítor Oliveira e Manuel Mendes, coordenador do projeto editorial e do ciclo de ações “Terra D’Alva”. O livro, uma edição da Fundação Marques da Silva, em parceria com as edições Afrontamento e a FAUP, foi lançado a 13 de fevereiro de 2017, assinalando o encerramento da exposição organizada no âmbito da cerimónia de assinatura do contrato de doação do acervo do Arquiteto Alfredo Matos Ferreira à Fundação Marques da Silva, decorrida a 20 de dezembro de 2016, na Casa-Atelier José Marques da Silva.

A exposição “Alfredo Matos Ferreira. Da condição da arquitectura como sentido comum” pode ser visitada na Galeria da FAUP de segunda a sexta, entre as 9h00 e as 19h00 (a exposição estará excepcionalmente encerrada entre os dias 26 e 29 de Dezembro, no âmbito da quadra festiva que se aproxima). A entrada é livre.