Museu Anatómico do ICBAS inspira desenhos de estudantes de Belas Artes

Durante os meses de dezembro de 2013 e janeiro de 2014, os estudantes das turmas da unidade curricular de Desenho 2 da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP) foram beber inspiração ao Museu Anatómico Prof. Nuno Grande, situado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Destas aulas resultou o convite do ICBAS para a apresentação de alguns dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes. O resultado pode ser visto em “O Desenho no Museu Anatómico – partilhas e Experiências Pedagógicas”,  o título da exposição que inaugura dia 6 de março, às 18h00, no Foyer do Salão Nobre do complexo ICBAS/FFUP.

De acordo com Mário Bismarck, diretor da subunidade orgânica de Desenho da FBAUP, o objetivo desta iniciativa que cruza arte com ciência não é produzir “ilustração científica”, mas explorar todo um “universo de atuações (gestual, instrumental e intencional) que percorrem as possibilidades destes objetos estranhos se corporizarem como imagens”. O docente acrescenta que uma das grandes questões abordadas nas aulas “é o confronto do estudante com o universo (histórico e funcional) das imagens de desenho”, sendo que “a proximidade com o campo da ciência” oferece “um território possível de cruzamento entre os registos de apreensão e entendimento das formas e a sua comunicação e ilustração”.

O trabalho de campo consistiu em três aulas, no ICBAS, tendo sido a primeira de reconhecimento do espaço (a partir de esquissos, esboços, desenhos de contorno, diagramáticos, tonais, etc.), seguindo-se análises estruturais, volumétricas e representações caligráficas do objeto selecionado. A partir deste material partiu-se para um registo mais “rigoroso”, através da técnica do “scratchboard” (proximidade à ilustração científica). As outras aulas foram de desenvolvimento especulativo de trabalhos (proximidade à atuação artística).

Trata-se, sublinha Mário Bismarck, de recorrer ao desenho “como um dispositivo que se coloca permeável entre os campos da arte e da ciência, entre os territórios da ‘subjetividade’ e da ‘objetividade’, no meio dos diferentes saberes e competências, potenciando o Desenho como uma plataforma de, ao mesmo tempo, conhecer, experimentar e comunicar”. À semelhança, de resto, do que tem sido “o desígnio histórico do Desenho”.

A exposição estará patente até 18 de março e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8h00 às 21h00. A entrada é livre.