U.Porto lança “laboratório” para melhorar a viticultura duriense

Grupos de investigação visitaram o Douro durante o verão para conhecer in loco os problemas dos produtores.

Grupos de investigação visitaram o Douro durante o verão para conhecer in loco os problemas dos produtores.

Investigadores da Universidade do Porto, de institutos associados, responsáveis de empresas a incubar no ecossistema da U.Porto e de empresas de equipamento estão a estudar o desenvolvimento de novos produtos e serviços que permitam melhorar a viticultura no Douro Vinhateiro. A iniciativa, promovida em parceria com a ADVID (Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense), envolve  investigadores de várias faculdades da U.Porto, do Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI) e do INESC TEC (Laboratório Associado coordenado pelo INESC Porto), bem como vitivinicultores  e empresas fabricantes de equipamentos e distribuidores.

Este esforço consertado foi lançado na sequencia das sessões A2B organizadas pela UPIN – Universidade do Porto Inovação e ADVID e em junho  o diálogo continuou com a debate no INEGI dos resultadosos de um inquérito dirigido aos associados ADVID sobre os principais problemas que afetam a produtividade e eficiência da exploração da vinha em encosta. Já este verão, os investigadores da U.Porto rumaram ao Douro para uma série de jornadas técnicas – as A2B labs – que visaram a procura de soluções de modo dirigido em cada um dos quatro grupos de trabalho formados.

As primeiras jornadas foram as do grupo de trabalho “Sensorização e Instrumentação” e incluíram responsáveis de vinha dos produtores Sogrape, investigadores do INEGI especializados na recolha e monitorização de dados em campo aberto, a par com especialistas da FEUP da área da termografia e instrumentação, e ainda as empresas PreWind e Wisenetworks, ambas em incubação no ecossistema da U.Porto.

Já a visita dos grupos de trabalho focados na “Pulverização, Limpeza de taludes” e “Máquinas adaptadas a trabalhar entre bardos” teve como destino a Quinta das Carvalhas (Real Companhia Velha), onde foi possível analisar os problemas em situações reais de operação. Os investigadores tiveram também a oportunidade de recolher elementos de caracterização das vinhas tais como temperaturas e dimensões, e de filmar e fotografar diferentes máquinas e alfaias em ação, contactando diretamente com as dificuldades de manuseamento das mesmas nos patamares estreitos do Douro.

A discussão sobre os problemas, as suas causas e possíveis soluções foi enriquecida com a presença de vários responsáveis de operações em vinhas, como a Real Cª Velha, Casa de Mateus, Quinta do Vallado, Quinta Dona Matilde, Sogevinus, Poças, bem como fabricantes de equipamentos e distribuidores (JOPER, TOMIX, Engenhotec, JOPAUTO).

Finalmente, os grupos dedicados ao meio ambiente e gestão de recursos (“Tratamento de Resíduos” e “Eco-Eficiência”) reuniram na Quinta do Vallado, Peso da Régua, onde debateram as problemáticas e possibilidades associadas ao aproveitamento e valorização de resíduos e sub-produtos da vinha (desde os sarmentos, vides, engaço, grainhas, películas, etc.), tanto para fins alimentares, como energéticos. Foram visitadas as instalações de processamento das uvas, recolhendo-se informações sobre os equipamentos existentes sob o ponto de vista de consumos energéticos, consumo de água, tratamento de efluentes líquidos, etc.

Durante estas visitas, organizadas pelo INEGI e pela ADVID, os investigadores da U.Porto e institutos associados fizeram algumas apresentações sobre técnicas avançadas de geração de energia, bem como de metodologias capazes de aferir da eco-eficiência de sistemas, seguindo-se um debate com vista a antever possibilidades de aplicação das mesmas em estudos/projetos no Douro. As jornadas contaram ainda com a participação de representantes da Quinta do Vallado, Quinta Dona Matilde, Sogevinus, consultores especialistas em vinha, técnicos ADVID, investigadores INEGI, representantes da empresa Destilaria Levira e do fabricante de caldeiras Norbidel.

De agora em diante, os grupos de trabalho vão dar seguimento às atividades de investigação, análise e discussão, conjuntamente com outros parceiros (de investigação e empresariais), com vista à geração de novos projetos de I&D em cooperação. A meta passa por criar novos equipamentos/sistemas portugueses adaptados às difíceis condições de operação da região do Douro.

Neste momento, está também em montagem uma articulação dos grupos de trabalho na rede social Linkedin, onde os seus membros dinamizarão e publicarão os desenvolvimentos do laboratório de produtos e serviços para a viticultura duriense e, futuramente, os resultados. Todos os membros do ecossistema da U.Porto interessados nestes temas estão convidados a aderir aos grupos na rede social.