Telescópio espacial CHEOPS vai procurar outras “Terras”

CHEOPS

As paredes do CHEOPS vão ser decoaradas com 3000 desenhos de crianças europeias. (Foto: ESA)

A descoberta de novos planetas em órbita de estrelas distantes já não é novidade. Mas saber como são esses planetas continua a ser um desafio para a ciência. Será que existem planetas semelhantes à Terra no Universo?

Para tentar responder a este desafio, a Agência Espacial Europeia (ESA) lançará para o espaço em 2017 o telescópio espacial CHEOPS. Esta será a maior participação técnica, científica e …artística nacional numa missão Espacial que, em Portugal, tem como parceiros o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e a Deimos Engenharia.

Como o satélite tem o tamanho de um pequeno automóvel, a ESA resolveu decorar algumas paredes vazias com 3000 desenhos de crianças europeias, entre os 8 e os 14 anos. Até dia 31 de outubro, estas podem enviar a sua obra-prima para o espaço, num concurso que conta ainda com a participação nacional do Planetário do Porto – Centro Ciência Viva.

O satélite CHEOPS é um telescópio espacial com 32 cm de diâmetro, que estará em órbita da Terra para observar planetas em torno de estrelas distantes. Mas o CHEOPS não consegue ver diretamente estes exoplanetas, recorrendo ao método dos trânsitos para os detetar.

Para além de medições extremamente rigorosas do brilho das estrelas, será necessária uma complexa cadeia de cálculos, Made in Portugal pelo IA, até ser possível poder obter medições que permitam inferir a composição e habitabilidade desses planetas.

São 500 os alvos a serem observados e a missão durará apenas 3,5 anos, uma limitação imposta pelo combustível. Por isso, a calendarização de forma dinâmica dos pedidos de observação de todas equipas mundiais é um grande desafio. É necessário compatibilizá-los com a disponibilidade técnica do instrumento e com a órbita do satélite (que só pode observar quando está na sombra da Terra), de forma a gastar o mínimo de combustível. Por isso é necessário um sistema de planificação muito avançado, que será o cérebro do Science Operation Centre – e está a ser desenvolvido em Portugal pela Deimos Engenharia.

Recorde-se que o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) foi formado em outubro de 2014, em resultado da fusão entre as duas maiores instituições nacionais de investigação em Astrofísica, o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e o Centro de Astronomia e Astrofísica de Lisboa (CAAUL).