ISPUP estuda a influência das desigualdades sociais no envelhecimento saudável

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Estudos demonstram que o estado de saúde ao longo da vida é fortemente influenciado pela riqueza e pelo estatuto social. (Foto: DR)

O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) é uma das instituições parceiras do LIFEPATH – Lifecourse biological pathways underlying social differences in healthy ageing, um grande projeto europeu financiado pelo programa da União Europeia (UE) para a Investigação e Inovação – Horizonte 2020 (H2020) e cujo principal objetivo é estudar a relação entre a posição socioeconómica e o envelhecimento saudável.

O ISPUP é a única instituição portuguesa que integra o consórcio responsável pela investigação – continuando colaborações anteriores – que agrega 15 instituições, de oito países da Europa, mas também dos Estados Unidos e da Austrália. No total, o projeto vai beneficiar de um financiamento de seis milhões de euros proveniente do H2020.

Vários estudos produziram conhecimento que permitiu evidenciar que o estado de saúde ao longo da vida é fortemente influenciado pela riqueza e pelo estatuto social. A distribuição social de fatores de risco tradicionais, como o tipo de alimentação e o tabagismo, explica em parte essa associação. No entanto, outros fatores, como o stress psicossocial e a constituição genética podem ser importantes, mas os mecanismos envolvidos não são bem compreendidos.

O consórcio de investigação tem como objetivo saber mais sobre os caminhos biológicos subjacentes à relação entre o estatuto socioeconómico e o envelhecimento saudável, com o objetivo final de reduzir o impacto da pobreza em saúde.

Uma das linhas de investigação do projeto vai estudar possíveis efeitos da crise económica sobre as mudanças biológicas relacionadas com o envelhecimento da população em coortes na Irlanda e em Portugal, através da identificação de marcadores biológicos de adversidade social.

“Este estudo é possível porque no ISPUP vem-se desenvolvendo a recolha sistemática de material biológico ao longo do tempo, que permitiu a criação de um repositório único de informação essencial para desenhar novos caminhos na abordagem dos problemas de saúde. Juntam-se assim a perícia epidemiológica, biológica e sociológica para permitir finalmente análises estatísticas de enorme sofisticação”, salienta Henrique Barros, responsável pelo projeto em Portugal e Presidente do ISPUP.

Durante quatro anos vão-se investigar as relações entre fatores socioeconómicos, como a educação, o rendimento ou o acesso a bens materiais, e os resultados em saúde relacionados com a idade, como o cancro, as doenças cardíacas, as deficiências cognitivas e a debilidade.