Investigador da FLUP dirige Instituto Português do Oriente

Joaquim Coelho Ramos abre as portas a um reforço na colaboração institucional entre o IPOR e a U.Porto. (Foto: DR)

Joaquim Coelho Ramos, antigo estudante da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e investigador integrado do Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP), é, desde o passado dia 1 de setembro, o novo diretor do Instituto Português do Oriente (IPOR), organismo com sede em Macau e que tem como principal missão a divulgação da língua e da cultura portuguesas na Ásia.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos é doutorado em Linguística Portuguesa pela Universidade de Praga, tendo desenvolvido a sua tese sob orientação de Fátima Oliveira, professora catedrática da FLUP. É, de resto, no leste da Europa que vem desenhando grande parte do seu percurso profissional, como professor de Língua e Linguística Portuguesas na Universidade Carolina de Praga, coordenador da Rede de Docentes de Português da Europa Central e de Leste e diretor do Centro Cultural Português do Instituto Camões em Praga.

Será essa experiência que o investigador do CLUP – onde desenvolve investigação na área da Semântica do Português, – procurará agora capitalizar na direção do IPOR, cargo no qual sucede a João Laurentino Neves, também ele antigo estudante da FLUP (licenciado em Línguas e Literaturas Modernas). “Nesta fase, será ainda cedo para avançar linhas de ação concretas para o mandato. Ainda assim, desafios superiormente definidos, como o Ano de Portugal na China e da China em Portugal a celebrar em 2019 terão de constituir necessariamente pontos de referência a seguir na preparação de um plano de atividades consistente para os próximos tempos”, explica.

A nomeação de Joaquim Ramos mereceu uma nota de congratulação por parte de João Veloso, Pró-Reitor da U.Porto com o pelouro da Promoção da Língua Portuguesa, que vê no novo diretor do IPOR “uma pessoa com um percurso académico e profissional muito interessante e variado”. Abertas ficam também as portas para um reforço na ligação do instituto à U.Porto. “É de prever que haja de futuro muitas colaborações e visitas de parte a parte entre a Universidade e o IPOR”, perspetiva João Veloso, apresentando como exemplos de possível colaboração o estabelecimento de “protocolos bilaterais para a mobilidade de estudantes, docentes e investigadores na área do Português”, o “apoio na formação de professores de Português”, a “coorganização de reuniões de trabalho e de eventos culturais, em Macau e no Porto, na área da promoção do português”, ou a promoção de “atividades de captação de estudantes de Português, especialmente de Macau, que queiram prosseguir estudos na Universidade do Porto”.

Joaquim Ramos abre igualmente as portas a um reforço na colaboração com a Universidade, “aproveitando o prestigio internacional que a U.Porto tem no contexto da investigação e ensino da língua portuguesa, baseados numa abordagem moderna, cientificamente sustentada e de caráter transnacional”. Entre as áreas de colaboração “a aprofundar”, o investigador elege “numa  primeira fase, a introdução de novas metodologias de ensino-aprendizagem ou a formação de professores e, numa fase posterior, o trabalho com a língua portuguesa para fins específicos, eventualmente com produção de materiais didáticos direcionados para públicos mais especializados”.

Sem esquecer o papel “fundamental” da U.Porto no seu trajeto académico e profissional, o novo diretor do IPOR deixa ainda elogios à “atenção dada pela Universidade à língua portuguesa e à mais-valia que esta representa num contexto global, bem demonstradas pela atribuição de tal pelouro [da Promoção da Língua Portuguesa], de forma autónoma, a um Pró-reitor. Ao tomar esta decisão, estou certo de que a equipa reitoral pretendeu dar um sinal claramente associado ao potencial estratégico desta língua como instrumento de comunicação num mundo que se torna cada vez mais pequeno, mas, mais do que isso, sublinhar também o valor do português no contexto negocial, geo-estratégico, cultural, sócio-económico e científico, com enorme espaço para se desenvolver no teatro internacional”.

Sobre o IPOR

Fundado a 19 de setembro de 1989 pela Fundação Oriente e pelo Instituto Camões, o Instituto Português do Oriente centra a sua missão em áreas tão diversas como  a formação de professores de português, a promoção de eventos que divulguem a cultura portuguesa, ou a supervisão de uma rede de leitorados e bibliotecas especializadas em temas portugueses em diversos países da Ásia. Cabe ainda ao IPOR a produção de materiais pedagógicos e de divulgação no âmbito da promoção da língua e cultura portuguesas, a publicação de materiais literários redigidos em português e a organização de concursos escolares para estudantes de Português, nos diversos níveis de ensino, em diversos países asiático