FMUP e FCNAUP ensinam a restauração a lidar com a alergia alimentar

palestra_alergiasA Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) acabam de lançar “O Manual de Alergia Alimentar para a Restauração”. O documento, da autoria de um grupo de especialistas da Faculdade de Medicina (FMUP) e da Faculdade de Ciências da Nutrição (FCNAUP) da Universidade do Porto, foi criado com o objetivo de informar, educar e ajudar os setores da restauração, hotelaria e turismo a lidar com a alergia alimentar e com as novas disposições previstas no regulamento 1169/2011 da União Europeia (que obriga os estabelecimentos a informar os clientes da presença de substâncias ou produtos que possam provocar alergias ou intolerâncias).

“A alergia alimentar é uma problemática crescente”, alertam  Inês Pádua, Renata Barros, Pedro Moreira e André Moreira, lembrando que se estima que pelo menos 8 em cada 100 crianças sofram de alergia alimentar. Estudos recentes indicam que a alergia alimentar aumentou 18% numa década, sendo que entre as crianças o aumento chegou aos 50%.

Atualmente, o tratamento base para a alergia alimentar e para a prevenção das reações alérgicas é a evicção alimentar, ou seja, a exclusão dos alimentos implicados passíveis de causar uma reação. “Esta exclusão revela-se, contudo, particularmente difícil se atentarmos no caráter ubiquitário dos alimentos e no risco de contaminação cruzada”, acrescentam os autores, referindo que os pacientes alérgicos “evitam fazer refeições fora de casa pelo receio de exposição acidental, devido à falta de conhecimento e boas práticas por parte dos estabelecimentos de restauração”.

É “fundamental que os estabelecimentos de Hotelaria e Restauração e todos os seus colaboradores reconheçam o importante papel que têm na segurança e na integração do doente com alergia alimentar na comunidade, e também na sua própria integração como parceiros na gestão e promoção da qualidade de vida destes doentes”, alegam os especialistas que consideram que este documento pode responder a muitas das dúvidas dos profissionais da restauração sobre este tema de crescente impacto em termos de Saúde Pública.

No manual participaram ativamente a APHORT – Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (que é coeditora), a ALIMENTA – Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares e a ASAE – Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.

A componente científica é endossada pela SPAIC – Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, e por médicos e nutricionistas da FMUP e FCNAUP.

O manual pode ser descarregado gratuitamente aqui.