Estudantes internacionais aprendem a dançar “à portuguesa”

Iniciativa pretende ser um espaço de divulgação da cultura popular portuguesa, bem como do trabalho que o NEFUP tem vindo a desenvolver ao longo dos seus 35 anos de existência. (Fotos: José Manuel Silva)

O NEFUP – Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto promove, ao longo do mês de março (dias 7, 14 e 21), mais uma edição da Oficina de Danças Tradicionais Portuguesas, iniciativa que convida todos os estudantes da U.Porto, mas sobretudo aqueles que chegam de todo o mundo para cumprir um período de mobilidade da Universidade, a descobrir a cultura popular portuguesa através de uma viagem pelas nossas danças tradicionais.

A primeira oficina aconteceu em 2013, numa parceria com a Unidade de Cultura e o Serviço de Relações Internacionais da Reitoria da U.Porto. Desde então, estima-se que mais de 300 estudantes tenham participado nas duas oficinas que o NEFUP tem vindo a realizar por ano (uma em cada semestre).

“Além de serem uma excelente forma de conhecerem um pouco melhor as nossas tradições, são também momentos de partilha muito gratificantes que certamente ajudarão os alunos internacionais  a integrarem-se mais rapidamente na comunidade académica. Por outro lado, são também momentos de verdadeiro diálogo intercultural, pois a origem geográfica, cultural, social e religiosa dos participantes é muito variada”, aponta Luís Monteiro, diretor artístico da dança do NEFUP e orientador das oficinas.

Foi isso mesmo que experimentaram os cerca de 30 estudantes de 15 nacionalidades que participaram na primeira oficina desta ano letivo, realizada em novembro passado. Como vem sendo tradição, o palco foi a sede do NEFUP (à Faculdade de Direito), onde os estudantes se encontraram às quartas-feiras à tarde, para dançar, conviver e conhecer a cultura popular e tradicional do nosso país.

Mas o que se descobre afinal enquanto se dança ” à portuguesa”? “É muito divertido e aprendemos muito sobre a cultura portuguesa. À primeira vista, para quem está de fora, parece que todas as danças são iguais, mas aqui percebemos a diversidade que existe”, explica Ana Paula de Sá*, estudante brasileira a desenvolver o seu doutoramento na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPCEUP).

Já para Maria Júlia Melo*, também ela brasileira e estudante de doutoramento na FPCEUP, a participação na oficina “acabou por tirar um pouco do estereótipo do que sabemos sobre Portugal. Há muito mais por descobrir!”. Tanto que “o workhsop podia ter seis meses”, nota.

E para quem pensa que é preciso saber dançar para participar, Victor Bellomo* esclarece: “Eu achava que dançar não era a minha coisa, mas decidi tentar mesmo assim, e acabou por me surpreender bastante. Valeu muito a pena!”, sentencia este estudante brasileiro, a realizar o mestrado em Geografia na Faculdade de Letras (FLUP).

Entre os estudantes que passam pela pela oficinas, há vários que acabam a participar ativamente nos ensaios e espetáculos do NEFUP. E também há aqueles que gostam tanto da experiência que decidem repetir a dose. Foi o caso da marroquina Nisrine Cherkani*, que, depois de se ter estreado no workshop em 2016/2017,  não resistiu a mais uns passos de dança. “É tão divertido, aprendemos tantas coisas. Este workshop é muito interessante porque podemos conhecer a cultura portuguesa, como é que se dança no país”, afirma. Surpreendida pela “hospitalidade dos portugueses”, a estudante de da Faculdade de Economia (FEP) encontra essa forma de estar refletida na dança. “As pessoas aqui dançam juntas e isso significa muito na sociedade. Estamos a agarrar-nos e a abraçar-nos e isso é bom…”.

Cada oficina termina com a entrega dos certificados e um convívio-jantar multicultural em que os participantes têm a oportunidade de partilhar um pouco da cultura – gastronomia, dança, música – dos seus países de origem.“A linguagem da dança tradicional ultrapassa todas as barreiras linguísticas e culturais, e o clima de cada sessão é de alegria contagiante. Oferecemos um pouco do que é nosso, mas recebemos muito mais de cada formando…”, conclui Helena Queirós, responsável pela dinamização de eventos na área da divulgação etnográfica e de oficinas de danças tradicionais do NEFUP.

Os estudantes interessados em participar na próxima oficina podem inscrever-se, gratuitamente, através do e-mail nefup.workshop@gmail.com, estando a participação sujeita a um número limitado de vagas.

Mais informações aqui.

Sobre o NEFUP

Fundado em 1982 por um grupo de estudantes e licenciados da U.Porto, o NEFUP é uma associação cultural académica apoiada pela Reitoria da U.Porto e que tem como missão a recolha, estudo e divulgação da etnografia e o folclore portugueses. Os resultados desse trabalho de pesquisa são depois apresentados sob a forma de espetáculos em que a dança, os cantares e outras manifestações populares se combinam para reproduzir o mais fielmente possível aspetos temáticos marcantes da nossa cultura etnográfica.

Ao longo dos seus 35 de existência, o NEFUP tem vindo a recolher um vasto e rico repertório relativo às diferentes regiões etnográficas portuguesas, do Minho à Madeira e aos Açores. Além das atuações por todo o país, o grupo tem vindo a divulgar a cultura popular portuguesa no estrangeiro (Espanha, Brasil, Macau, Inglaterra, Gales, Bélgica e Holanda), obtendo, por duas vezes, o primeiro lugar no famoso Llangollen International Festival, no País de Gales.

O NEFUP ensaia regularmente à quarta-feira à noite (danças) e ao sábado à tarde (danças, música, encenação). As inscrições estão abertas para estudantes, antigos estudantes e funcionários da U.Porto.

* Depoimentos recolhidos por Helena Queirós, do NEFUP