Equipa portuguesa na final de competição mundial para explorar o mar

Nuno Cruz e Hugo Ferreira são dois dos 24 membros da equipa PISCES. Receberam no dia 15 de março o prémio de passagem à final da competição.

A equipa PISCES – Cooperative Robots for Deep Ocean Exploration, liderada por Nuno Cruz, investigador do INESC TEC e professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), garantiu recentemente um lugar na final da competição internacional Shell Ocean Discovery XPrize, que pretende desenvolver tecnologias para recolher informações e mapear o mar profundo em zonas de difícil acesso ainda não exploradas.

A proposta da equipa portuguesa, que reúne 24 investigadores do INESC TEC e do CINTAL – Centro de Investigação Tecnológica do Algarve,  combina diferentes plataformas robóticas marinhas para a exploração do fundo do mar: um submarino autónomo para águas profundas chamado DART e um barco autónomo, de nome ROAZ.

O DART transporta sonares, câmaras de vídeo e luzes e é com isso que recolhe imagens e cartografia do fundo do mar. O objetivo é que o DART seja levado para o local de operação (a umas dezenas de milhas da costa) a bordo do ROAZ, lançado para fazer o mapeamento, depois novamente recolhido pelo ROAZ no final da missão, e depois trazido por este para terra.

O submarino robô DART e o barco ROAZ.

Contudo, e uma vez que os sistemas de GPS não funcionam debaixo de água, para resolver o problema da navegação do submarino estão mais dois barcos à superfície, que, com a emissão de sons, orientam o submarino, que vai ter de adaptar autonomamente a sua trajetória conforme navega, encontra obstáculos ou faz alguma recolha de informação. Esta viagem deverá ser feita a quatro quilómetros de profundidade, de acordo com as regras do concurso.

Durante a missão, vão ser mantidas comunicações com o ROAZ e com os restantes barcos via satélite.

Por ter passado à final do concurso, esta proposta já foi premiada com cerca de 90 mil euros. A competição entra agora na fase final. As nove equipas em jogo vão enfrentar no último trimestre deste ano nova série de testes e o vencedor é apurado em dezembro.

O acesso e exploração do fundo do mar tem sido um processo difícil e alvo de inúmeras limitações, não só de âmbito físico, mas também económico e até tecnológico. Nesse sentido, o Shell Ocean Discovery XPrize, intitulado «Getting to the bottom of our ocean», é uma competição que desafia equipas a levar ao limite a tecnologia de estudo do fundo do mar, criando soluções que permitam avanços a nível de autonomia, escala, velocidade, profundidade e resolução da exploração marítima.

O objetivo do concurso consiste em desenvolver projetos tecnológicos inovadores, que permitam explorar e mapear o fundo do mar, dando soluções a problemas atuais e até revelar novos recursos para benefício da humanidade.