Dor crónica em Portugal custa mais de 4 mil milhões de euros por ano

Os custos diretDor (destaque)os e indiretos anuais relacionados com a dor crónica em Portugal ascendem aos 4.611 milhões de euros, indica um estudo do investigador Luís Azevedo, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Os resultados finais do estudo serão apresentados no Fórum Futuro 2014, no dia 21 de junho, pelas 10 horas, em Oeiras.

“O estudo revela que os custos diretos anuais, relacionados com consultas, exames e tratamentos para a dor, atingiram um valor de 1.997 milhões de euros enquanto os custos indiretos anuais, devidos ao absentismo, aposentação precoce e perda de emprego, atingem os 2.645 milhões de euros, contabilizando, assim, um custo total anual de 4.611 milhões de euros. Este valor é manifestamente significativo, representando 2,7% do PIB nacional”, explica o investigador do CINTESIS, da FMUP.

A investigação determinou ainda que a média dos custos totais anuais por indivíduo com dor crónica foi de 1.883 euros, estando 43 por cento relacionados com custos diretos (807 euros) e 57 por cento com custos indiretos (1.080 euros).

“Além da sua alta frequência e o seu impacto individual e social, a dor crónica tem mostrado estar fortemente associada a uma grande utilização de serviços de saúde, a uma importante redução da produtividade no trabalho e consequentemente a grandes custos diretos e indiretos”, salienta Luís Azevedo, investigador principal do estudo.

Os custos diretos de saúde foram calculados por cada paciente, adicionando os custos de medicamentos para a dor, as modalidades não-farmacológicas de tratamento da dor, consultas nos cuidados de saúde primários e hospitalares, consultas com outros profissionais de saúde e exames complementares de diagnóstico realizados.

Por outro lado, os custos indiretos, associados à produtividade perdida devido ao afastamento temporário do trabalho, aposentação precoce e perda de emprego, foram calculados com base no número de dias de trabalho perdidos da população ativa e o rendimento diário nacional de cada classe específica.

O estudo foi realizado, numa primeira fase, a partir de uma amostra de 5.094 pessoas, selecionados aleatoriamente e representativas da população adulta portuguesa. A segunda fase do estudo contemplou uma análise mais detalhada de 562 pessoas com dor crónica identificadas na primeira fase.

Em Portugal, a dor crónica afeta mais de 30 por cento dos adultos portugueses. É uma situação de dor persistente que se não for seguida e tratada de modo adequado, poderá afetar gravemente a qualidade de vida das pessoas e pode levar à incapacidade total ou parcial para o trabalho.