Diagnóstico para cancro do ovário vence Prémio de Inovação i3S-Hovione Capital

O i3S-Hovione Capital Health Innovation Prize é um prémio internacional que visa distinguir ideias inovadoras na área da saúde

Um novo teste de diagnóstico para cancro do ovário baseado num marcador do plasma foi o vencedor do i3S-Hovione Capital Health Innovation Prize. Uma equipa internacional, constituída por investigadores da Swansea University College of Engineering (Reino Unido) e do INL (Braga) tem agora à sua disposição 35 mil euros em fundos e serviços, que irão acelerar a sua transição para o mercado. O i3S-Hovione Capital Health Innovation Prize é um prémio internacional criado este ano para distinguir ideias inovadoras na área da saúde e foi entregue esta quinta-feira nas instalações do i3S – Instituto de Investigação e Inovação da Universidade do Porto.

O i3S-Hovione Capital Health Innovation Prize conta com o apoio internacional do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT-Health), e com a parceria de várias entidades, como a Blueclinical, a Patentree, a SRS Advogados, a Impact Science (Reino Unido), e a ANI/MCTES através do seu prémio Bfk Award. Os vencedores do grande prémio podem contar com

cinco mil euros de financiamento e 30 mil euros em serviços que incluem um estudo de mercado, desenvolvimento de um plano de negócios, bem como a sua validação por peritos industriais, apoio a um concurso Portugal2020, coaching para um pitch e apoio na criação de uma empresa com base na tecnologia ganhadora.

Os parceiros que se associaram à iniciativa atribuíram outros prémios a projetos que se destacaram. A companhia SRS Advogados, através do seu Departamento de Ciências da Vida,  ofereceu um prémio em horas técnicas de apoio legal ao projeto «AntiBioCoat», de investigadores o i3S, que propõe um novo tipo de revestimento anti-adesivo para cateteres.

O projeto «Delox», da Universidade de Lisboa, que se apresentou com um novo processo de vaporização de peróxido de hidrogénio para esterilização em ambiente hospitalar, conquistou dois prémios, o da Patentree, que oferece a redação de uma patente nacional, e da Impact Science (Reino Unido) que consiste no desenho de estratégia de gestão de propriedade intelectual para esta tecnologia.

O Ministério da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), através da Agência Nacional de Inovação (ANI), também atribuíram nesta sessão o prémio «Born from Knowledge Award», que se traduz em apoio em mentoria, ao projeto «MagCyte» (IST e INESC). Este projeto apresenta uma nova abordagem para deteção de células cancerígenas.

O prémio Blueclinical, que oferece horas técnicas em consultoria em assuntos regulamentares, foi atribuído a um dispositivo biónico para aplicação dentária que deteta e informa sobre a pressão durante a mastigação, denominado «SmartTooth» (IPO-Porto, FEUP e GadgetWhisper). Igualmente importante foi o crowdfunding que decorreu durante a sessão, o qual reuniu cerca de dois mil euros, fundos que foram distribuídos pelos projetos concorrentes.

O i3S tem investido fortemente na mobilização de conhecimento para a esfera empresarial, com o objetivo de rentabilizar e potenciar a investigação que é produzida nos institutos. Como explica Margarida Rossi, especialista do i3S na transferência de tecnologia, «na nossa visão, é essencial valorizar a produção científica, quer porque a criação de novos produtos médicos são uma forma clara de retorno do investimento feito em investigação quer porque a criação de novas empresas conduz à criação de emprego especializado que absorve os recursos humanos altamente qualificados que temos vindo a formar».

Neste contexto, é fácil perceber por que razão o maior instituto de investigação e inovação em saúde do país se associou a uma das mais importantes companhias de investimento na área das Ciências da Saúde, a Hovione Capital, com o objetivo de criar um instrumento que incentiva investigadores e empreendedores a darem corpo às suas ideias e se lançarem no desenvolvimento de tecnologias e produtos.

Para João Cortez, um dos responsáveis pela iniciativa, «esta experiência foi um sucesso e será para repetir, pois ficou claro o estimulo à inovação que se proporcionou». Acima de tudo, «foi um momento único para colocar investidores e investigadores frente a frente a discutir e ideias e a explorar novas formas de capitalizar o conhecimento que existe», adianta Hugo Prazeres, também envolvido na transferência de tecnologia no i3S. Em representação da Hovione Capital, Gonçalo Andrade reconheceu a «elevada qualidade dos projetos apresentados», assim como destacou a pertinência «destas iniciativas que promovem a distinguem projetos inovadores no sector da saúde que possam vir a ser alvo de investimento».