Autor da teoria da extinção dos dinossauros dá conferência em Serralves

Cientista norte-americano vai abordar a história da Terra à luz dos Descobrimentos portugueses nos séculos XV e XVI.

Compreender a história do ciclo de supercontinentes dá-nos uma nova perspetiva acerca das condicionantes geográficas e geológicas subjacentes aos descobrimentos Portugueses. Esta é a temática central da conferência “A study of Big History — Supercontinents and how the Portuguese invented science” que será apresentada no próximo dia 22 de maio, em Serralves, pelo norte-americano Walter Alvarez, cuja investigação confirmou a teoria da extinção dos dinossauros graças ao impacto de um asteróide no planeta Terra.

Nesta visita a Portugal, promovida pela Universidade do Porto, em parceria com a Fundação de Serralves, Walter Alvarez irá explorar dois aspectos da relação histórica de Portugal com os continentes e os oceanos, que tiveram lugar a escalas temporais distintas. Por um lado, apresentar-se-á uma nova perspectiva, desenvolvida em colaboração com o historiador de ciência Henrique Leitão, sobre as fronteiras que separam os continentes dos oceanos traçadas pelos Portugueses. Esta defende que as viagens de exploração empreendidas pelos Portugueses foram a primeira manifestação do que se veio a definir como ciência moderna, podendo, assim, admitir que os Portugueses inventaram a ciência, e que a primeira ciência moderna foi a geologia, um século antes de Copérnico.

Por outro lado, serão discutidas as recentes descobertas geológicas que demonstram que, durante centenas de milhões de anos, a Terra se modificou lentamente ao longo de ciclos entre dois extremos, num dos quais existem continentes dispersos pelo globo, tal como se encontram hoje em dia; e o outro, no qual a maioria das massas continentais se encontra agregadas num único supercontinente – o mais recente dos quais é a Pangeia.

A decorrer no auditório da Fundação de Serralves, pelas 17h30, a sessão conta ainda com a apresentação do livro “As Montanhas de São Francisco – à descoberta dos eventos geológicos que moldaram a Terra”, também, da autoria de Walter Alvarez. Neste livro, o autor conduz o leitor em viagem pela cordilheira apenina em Itália — as Montanhas de São Francisco — percorrendo os segredos mais fascinantes escritos nas rochas da Terra.

A entrada é gratuita.

Sobre o autor

Doutorado em geologia pela Universidade de Princeton, Walter Alvarez desenvolveu o trabalho de investigação para a sua tese no deserto de La Guajira, na Colombia, onde co-habitou  com Índios Wayúu e contrabandistas. No entanto, a maior parte da sua actividade de investigação foi desenvolvida em Itália, onde estudou a geologia arqueológica de Roma, a tectónica do Mediterrâneo e as inversões magnéticas terrestres registadas em calcários de águas profundas nos Apeninos italianos.

Porém, foi o ano de 1977, época em que iniciou os seus estudos superiores na Universidade de Califórnia, que lhe trouxe o maior reconhecimento . O investigador manifestou-se acerca da extinção em massa no final do Cretáceo, baseado em dados obtidos a partir da medição de níveis de irídio em rochas perto de Gubbio, em Itália, que revelaram que o fenómeno foi fruto do impacto de um asteróide ou cometa gigante na Terra. Juntamente com o seu pai, Luis Alvarez, prémio Nobel da Física em 1968, Frank Asaro e Helen Michel, publicou em 1980 o artigo que revolucionou a visão das extinções ao longo da História da Terra. Em 1991, a hipótese foi confirmada através da descoberta de uma enorme cratera de impacto, escondida sob a superfície da península do Yucatán, cuja origem remonta precisamente à extinção do Cretáceo-Terciário.

Atualmente, os seus estudos incidem sobre a “Grande História”, o novo campo que pretende juntar todo o conhecimento sobre o passado do nosso planeta para compreender, de forma coerente e abrangente, a História a uma escala alargada. Em 2002 recebeu a Medalha Penrose, a mais alta distinção da Sociedade Geológica da América. Walter Alvarez possui, ainda, o Grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Siena, em Itália, e pela Universidade de Oviedo, no Principado das Astúrias, em Espanha, de onde é originária a sua família.