À descoberta do mundo dos Cristais no metro dos Aliados

Cristal de TTR - A Transtirretina é a proteína humana que, quando mutada, leva ao desenvolvimento da Doença dos Pezinhos, a Paramiloidose. Combinada com Zn2+ (Zinco), como nesta amostra, a TTR forma cristais com um arranjo espacial semelhante à TTR das fibras de amilóide dos pacientes com paramiloidose, ajudando a compreender como se processa a doença.

Exposição inclui imagens de cristais de TTR, a Transtirretina, uma proteína humana que quando mutada conduz ao desenvolvimento da paramiloidose.

No encerramento das comemorações do ano Internacional da Cristalografia promovidas pela UNESCO, a Câmara Municipal do Porto, a Universidade do Porto e o Instituto de Biologia Molecular e Celular da U.Porto (IBMC) uniram-se para criar uma exposição fotográfica sobre cristais. “Aquele Cristal e Outros” pode ser visitada na estação de metro dos Aliados, entre 15 de dezembro e 31 de janeiro do próximo ano.

Muito além da beleza das imagens, os cristais foram escolhidos pelo valor ou pelo impacto que têm no nosso dia a dia: no que comemos, nos materiais sólidos que nos rodeiam, na geada que se forma nas noites mais frias, entre muitos outros exemplos. Pela sua importância, a UNESCO desafiou todo o mundo a celebrar o estudo destes sólidos, cujos constituintes estão organizados no espaço numa estrutura tridimensional de geometria bem definida. Um exemplo clássico de cristalização é o que ocorre a partir de uma solução concentrada de sal comum à medida que a água se evapora, exemplo de cristal que poderá ser visto na exposição. Mas a diversidade é muita, e o visitante poderá mesmo ver imagens de cristais de TTR, a Transtirretina, uma proteína humana que quando mutada conduz ao desenvolvimento da doença-dos-pezinhos, a paramiloidose.

Mas o centro das atenções deste ano é a Cristalografia e não apenas os cristais. Centrada no estudo desses sólidos cristalinos com o objetivo de compreender a disposição dos átomos que os constituem, esta disciplina permite interpretar, compreender e prever as propriedades dos sólidos e, eventualmente, saber como utilizá-las para outros fins.

A Cristalografia por raio-X (técnica que permite que permite desenhar um mapa de distribuição atómica interna do cristal)  iniciou-se com o trabalho de Max von Laue que foi Prémio Nobel da Física em 1914. Mas o ano de 2014 é, igualmente, uma oportunidade para celebrar o 50º aniversário do Prémio Nobel da Química atribuído a Dorothy Hodgkin, pelo trabalho com técnicas de raio-X que permitiram determinar as estruturas da penicilina e da vitamina B12. Este e outros factos históricos da cristalografia podem ser conhecidos no site oficial do evento do Porto, como é o caso do contributo de Rosalind Franklin, por poucos conhecido, mas que foi essencial para a descoberta da estrutura do DNA.

Os mais pequenos também são visados pelas comemorações do Porto já que foi aberto um concurso, propício à época, para a construção de árvores e arbustos de Natal feitos com cristais. O concurso destina-se a alunos e professores do segundo e terceiro ciclo e tem por objectivo estimular o interesse por esta área de saber. No projeto “Aquele Cristal e Outros” estiveram envolvidos cerca de 30 colaboradores, mais de metade investigadores das instituições parceiras. A Metro do Porto, também parceira do evento, cedeu o espaço para que a ciência, mais uma vez fosse ao encontro dos cidadãos.