Spin-off da U.Porto recebe 2,6 milhões de euros da Comissão Europeia

FASTinov, kit

O Kit desenvolvido pela FASTinov vai permitir aumentar a rapidez e a eficiência do tratamento prescrito aos doentes que sofrem graves infeções bacterianas. (Foto: FASTinov)

Um consórcio liderado pela FASTinov, uma spin-off inserida na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), vai receber 2,6 milhões de euros da Comissão Europeia para lançar no mercado um kit de diagnóstico clínico que promete revolucionar a forma como os médicos prescrevem antibióticos. O novo Kit permite determinar em 60 minutos a suscetibilidade das bactérias aos antibióticos a partir de hemoculturas, o que aumentará a rapidez e a eficiência do tratamento prescrito aos doentes que sofrem graves infeções bacterianas.

Assim, “será possível em apenas uma hora detetar a resistência aos diferentes antimicrobianos”, explica Cidália Pina Vaz, presidente da FASTinov e professora da FMUP. Deste modo “é possível dirigir a terapêutica e medicar com segurança”, acrescenta ainda.

Os testes existentes de momento não permitem obter resultados antes de 48 horas. Não sendo possível aguardar, como acontece com os doentes em estado grave, os médicos veem-se obrigados a medicar com base em dados epidemiológicos – ou seja, “prescrevem o medicamento mais eficiente para os tipos de bactérias mais prevalentes”, explica a microbiologista. Este “procedimento tem riscos para o doente, aumentando o tempo de internamento e a despesa hospitalar e contribui para o crescente fenómeno de resistência das bactérias aos antibióticos”, lembra Sofia Costa de Oliveira, coordenadora científica da FASTinov e professora da FMUP. “Caso a bactéria seja resistente ao antibiótico receitado, o doente pode apresentar complicações graves ou mesmo morrer”, explica Cidália Pina Vaz.

FASTinov , equipa

A equipa da FASTinov está sediada na Faculdade de Medicina da U.Porto (Foto: FASTinov)

Para além da avaliação da suscetibilidade, o novo kit permite desvendar qual o mecanismo de resistência envolvido em curto espaço de tempo. Sabendo que alguns destes mecanismos se difundem muito rapidamente, é crucial a sua deteção precoce a fim de possibilitar o isolamento do doente em tempo útil evitando surtos de infeção nomeadamente a nível hospitalar.

O projeto é liderado pela FASTinov, sendo que o consórcio – a oficializar nas próximas semanas – será ainda constituído pelas empresas µRoboptics (Portugal/Oliveira do Hospital), SERMAS (Espanha), Euroclone Diagnostica (Itália) e Profess Medical Consultancy BV (Países Baixos).

A FASTinov é assim a primeira PME nacional a liderar um consórcio no âmbito do programa FTI (Fast Track to Innovation) – um instrumento do Horizonte 2020 para promoção da inovação na fase de aproximação ao mercado. Este fundo europeu é gerido pelo português Carlos Moedas, comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação.