Maria de Sousa recebe Grã-Cruz da Ordem Militar de San’tiago de Espada

condecoração Maria de Sousa

Maria de Sousa recebeu a condecoração das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa. (Foto: Presidência da República)

Na mesma cerimónia em que distinguiu a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) com a Ordem da Instrução Pública, o Presidente da República condecorou no passado dia 24 de novembro a cientista Maria de Sousa, Professora Catedrática Jubilada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e Professora Emérita da U.Porto, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de San’tiago de Espada, uma das mais importantes ordens honoríficas atribuídas pelo chefe de estado.

Para Maria de Sousa, que se junta assim a grandes nomes da cultura portuguesa como o cineasta Manoel de Oliveira, o poeta Alexandre O’Neill, a fadista Amália Rodrigues, a poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen ou a escritora Agustina Bessa Luís, trata-se do reconhecimento de um percurso científico da excelência, do qual se destaca a ligação de mais de 30 anos à Universidade do Porto.

Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa, Maria de Sousa foi Leitora na Universidade de Glasgow (Escócia), onde fez o doutoramento em Imunologia. Partiu depois  para os Estados Unidos, onde foi Professora Associada na Escola de Estudos Pos-Graduados de Cornell Medical College e, simultaneamente, Membro Associado e Diretora do Laboratório de Ecologia Celular no prestigiado Memorial Sloan Kettering Cancer Center do Sloan Kettering Institute (SKI), em Nova Iorque.

Autora de vários artigos científicos fundamentais para a definição da estrutura funcional dos orgãos que constituem o sistema imunológico, entre os quais o que consagrou a descoberta da área timo-dependente (1966), hoje conhecida universalmente por área T, Maria de Sousa notabilizou-se igualmente pelos estudos realizados em doentes com hemocromatose hereditária. Foi de resto esta linha de investigação que a trouxe para o ICBAS em 1985, ano em que funda o Mestrado de Imunologia.

Enquanto docente e investigadora da U.Porto, foi responsável pela constituição de uma equipa de investigação nova no campo da hemocromatose, repartida pelo ICBAS, pelo Hospital Geral de Santo António e pelo então novo Instituto de Biologia Celular e Molecular (IBMC). Ao nível do ensino pós-graduado, encabeçou em 1996 a criação do Programa Graduado em Biologia Básica e Aplicada (GABBA), um programa pioneiro em Portugal, resultado da colaboração entre o ICBAS, as faculdades de Ciências (FCUP) e de Medicina (FMUP), o IBMC, o Instituto de Engenharia Biomédica (INEB) e o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular (IPATIMUP) da U.Porto (estes três últimos, integrados atualmente no i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto).

Entre as distinções que somou ao longo da carreira incluem-se o prémio “Estímulo à Excelência”, atribuído pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2004), o Prémio Universidade de Coimbra (2011) e o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2012). Em outubro de 2009, assinalou a sua jubilação com uma Última Aula no Salão Nobre da Reitoria da U.Porto, o mesmo local onde, um ano mais tarde, lhe seria confiado o título de Professora Emérita da Universidade.

Para além da FCUP e de Maria de Sousa, o chefe de Estado condecorou ainda o psicólogo Daniel Sampaio e o matemático António Saint’Aubyn (a título póstumo).