Ipatimup propõe método de deteção precoce de cancro do pâncreas

Sónia Melo (Ipatimup)

Licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da U.Porto, Sónia Melo é investigadora principal do Ipatimup desde 2014 (Foto: DR)

Um estudo publicado esta quarta-feira na prestigiada revista Nature, liderado pela investigadora Sónia Melo, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), demonstrou que as células tumorais do pâncreas produzem exossomas que possuem a proteína glypican-1 (GPC1). A investigadora descobriu que a presença de exossomas com esta proteína no sangue permite distinguir indivíduos sem doença ou com doença benigna do pâncreas, de doentes com cancro do pâncreas.

Os exossomas são nanovesículas produzidas por todas as células do corpo humano. Estas vesículas contêm material genético (RNA e DNA) e molecular (proteínas e lípidos) representativo das células que lhes deram origem. Os exossomas, depois de produzidos, podem ser libertados na circulação sanguínea, chegar a órgãos distantes e alterar as células desses órgãos.

Num modelo experimental de ratinho foi possível demonstrar que a deteção de exossomas positivos para GPC1 se correlaciona com a presença de lesões pancreáticas iniciais não detetáveis por ressonância magnética.

O estudo liderado por Sónia Melo, intitulado “Glypican-1 identifies cancer exosomes and detects early pancreatic cancer”, demonstra que a deteção de exossomas positivos para a proteína GPC1 que circulam no sangue de pacientes com cancro do pâncreas, pode ser utlizada como uma ferramenta de diagnóstico não invasiva (uma vez que os exossomas com estas características são detetados numa análise ao sangue) e como uma ferramenta para detetar fases iniciais de cancro do pâncreas.

Licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da U.Porto, Sónia Melo terminou em 2010 o Programa Graduado em Áreas da Biologia Básica e Aplicada (GABBA), durante o qual passou pelo Ipatimup, pela Faculdade de Medicina da U.Porto, pelo CNIO-Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas (Madrid) e pelo ICO-Institute Catalan de Oncologia (Barcelona). Depois de quatro anos de pós-doutoramento nos Estados Unidos (Harvard Medical School e MD Anderson Cancer Center), regressou ao Ipatimup em meados de 2014, como investigadora principal. Já em 2015, foi uma das três cientistas distinguidas na 11.ª edição das “Medalhas de Honra L‟Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência”, pelos seus estudos sobre os exossomas e a sua aplicação no desenvolvimento de novas formas de diagnóstico e tratamento do cancro