Investigação do i3S premiada pela Fundação “La Caixa”

Susana Sousa lidera o projeto HECOLCAP, em que se propõe uma solução mais eficiente para diminuir as infeções ósseas crónicas. (Foto: DR)

Dois projetos de investigação biomédica de investigadores do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto foram premiados pelo Programa CaixaImpulse da Fundação «la Caixa». Num total de 85 projetos apresentados a concurso, foram selecionados 20, sendo que os dois portugueses selecionados são ambos do i3S. Nesta edição o apoio pode ir até um máximo de 100 mil euros por projeto.

Liderado pela investigadora Susana Sousa, o projeto HECOLCAP propõe uma solução eficiente para diminuir as infeções ósseas crónicas que afetam cerca de quatro milhões de pessoas por ano em todo o mundo e estão associadas à úlcera do pé diabético, implantação de próteses e fraturas expostas. Esta solução inclui apenas uma cirurgia e facilita a libertação local do antibiótico em concentrações adequadas, de uma forma que é capaz de destruir as bactérias em três semanas e erradicar a infeção.

Além disso, adianta a investigadora, «esta solução promove seguidamente a regeneração óssea no local da lesão» através da aplicação do referido biomaterial que simula a estrutura do osso, A ideia, continua, «é melhorar consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes, reduzir o período de internamento hospitalar e permitir um tratamento e uma recuperação com custos reduzidos, tornando-o acessível a mais setores da população».

O projeto AntiBioCoat, liderado pela investigadora Fabíola Costa, tem como objetivo diminuir a incidência de infeções hospitalares relacionadas com dispositivos médico. (Foto: DR)

Por seu lado, o AntiBioCoat, um projeto liderado pela investigadora Fabíola Costa, consiste num revestimento repelente muito eficiente contra um amplo espectro de bactérias, desenvolvido para diminuir a incidência de infeções hospitalares relacionadas com dispositivos médicos. Este revestimento está a ser desenvolvido para ser aplicado inicialmente em cateteres urinários. Como explica a investigadora, «este revestimento apresenta elevada eficiência sem a introdução de antibióticos ou biocidas, distinguindo-se dos tratamentos existentes por não promover a toxicidade nem o surgimento de resistência aos antibióticos». O revestimento é baseado num polímero natural único, que surgiu da investigação de outra investigadora do i3S, Rita Mota.

As infeções associadas a cuidados médicos estão especialmente relacionadas com a aplicação de cateteres. Estas infeções contribuem para o sofrimento do doente, agravando o seu prognóstico de saúde, aumentando o consumo de medicamentos e prolongando o internamento hospitalar, o que sobrecarrega os sistemas de saúde em todo o mundo com milhares de milhões de euros em cuidados médicos não planeados.  Atualmente, estas infeções estão ser combatidas através de medidas preventivas e com o uso de antibióticos. «O envelhecimento da população e a crescente resistência a antibióticos, faz com que seja premente encontrar novas estratégias para reduzir as infeções durante a assistência médica», sublinha Fabíola Costa.

O CaixaImpulse oferece um apoio monetário de até 100 mil euros a cada um dos projetos para execução dos planos de valorização e comercialização do projeto; um programa de acompanhamento de oito meses, que consiste em ações de mentoring, formação, assessoria de peritos e oportunidades para a geração de contactos de valor para o seu projeto; um feedback constante sobre cada projeto por parte da indústria, do mercado e de peritos de referência, com um plano de valorização e de comercialização validado por mentores e peritos; e a imersão na realidade do mercado, o que lhes permitirá avaliar a sua proposta de valor do projeto, adaptá-la e assim maximizar as probabilidades de êxito da transferência para o mercado.

A Fundação “la Caixa” e o Caixa Capital Risco lançaram este programa em 2015 com o objetivo de facilitar a transição para a sociedade do conhecimento científico com origem em centros de investigação, universidades e hospitais, através de patentes, criação de empresas ou acordos de transferência. O programa já investiu 7,5 milhões de euros e apoiou 58 iniciativas, dez das quais se converteram em spin-off e sete estão em processo de criação. Este ano iniciou a sua implantação em Portugal, fruto da entrada do BPI no Grupo Caixa Bank.