i3S desenvolve ideia inovadora para diagnosticar a depressão

Solução proposta pelos investigadores da U.Porto pode melhorar o diagnóstico mas também a monitorização da doença durante a terapêutica. (Foto:DR)

Uma equipa do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, constituída pelas investigadoras Maria Inês Almeida, Susana Santos e Inês Alencastre e dois elementos da Unidade de Transferência de Tecnologia do Instituto – Sofia Esteves e Bárbara Macedo – foi selecionada para participar no programa COHiTEC deste ano. A equipa, designada «MyRNA Diagnostics» (Biomarcadores Moleculares em Diagnóstico de Doenças), apresentou uma ideia de negócio baseada num kit destinado a diagnosticar a depressão através de uma análise ao sangue.

«O diagnóstico da depressão é atualmente baseado em entrevistas clínicas que são subjetivas e dependem de um bom relacionamento entre médico e doente. Os prestadores de cuidados de saúde mental sentem necessidade de utilização de métodos sensíveis e específicos para melhorar a percentagem de pacientes com depressão (> 300 milhões em todo o mundo) que recebem tratamento eficaz (<50%)», sublinha Inês Almeida, membro da equipa do i3S que, durante a formação, integrou também um elemento da Porto Business School, Kshitij Khode,

O produto «MyRNA Depression Diagnostics», adianta Susana Santos, «é um kit para detetar e quantificar um painel específico de biomarcadores moleculares numa amostra de sangue, o que permite um diagnóstico quantitativo e uma melhor monotorização da doença». Ao contrário das entrevistas clínicas, que são subjetivas, acrescenta ainda Inês Alencastre, «o nosso produto não depende o operador nem das capacidades cognitivas do doente. Os resultados são analisados por um algoritmo e são fornecidos dentro de 24 a 48 horas após a colheita de sangue. A solução permite aos clínicos basear a suas decisões terapêuticas num teste biológico quantificável, diminuindo a prescrição excessiva, melhorando a precisão do diagnóstico e permitindo a monitorização da doença durante a terapêutica».

A equipa «MyRNA Diagnostics» na sessão de encerramento do Programa COHiTEC 2017. (Foto: DR)

Para Susana Santos, o facto do projeto MyRNA Diagnostics ter sido escolhido pelo Programa COHiTEC significa que «tem possibilidades de chegar até ao mercado e até aos que mais precisam, que são os pacientes». No fundo, acrescenta Inês Alencastre, «termos sido escolhidas validou a potencialidade comercial do projeto de investigação que está a ser desenvolvido e a forma como escrevemos a nossa proposta».

O COHiTEC, sublinha Maria Inês Almeida, «permitiu-nos adquirir ferramentas de forma a transformar a tecnologia e os conhecimentos que adquirimos no laboratório num produto com viabilidade económica. Para além de adquirirmos conhecimentos em marketing, finanças e propriedade intelectual ajudou-nos também a melhorar a forma como comunicamos a ciência que fazemos para fora da comunidade científica». Para além de toda a componente de desenvolvimento de negócio, «aprendemos como fazer a parte financeira, como explicar a não cientistas o que fazemos. Aprendemos a ver o que fazemos de ângulos diferentes, dentro do que fazemos: O que é que as pessoas que não são cientistas acham interessante? Acham que tem potencial para ir mais longe? Percebem como é importante?», acrescenta Susana Santos. Inês Alencastre conclui: «No COHiTEC aprendi a considerar um eventual mercado para a minha investigação».

Também para Sofia Esteves e Bárbara Macedo, da Unidade de Transferência de Tecnologia do i3S, participar no Programa COHiTEC foi «uma excelente oportunidade e desafio». «Permitiu-nos consolidar capacidades adquiridas ao longo da experiência atual de Transferência de Tecnologia, bem como ter contacto com novas temáticas na área financeira e desenvolvimento de planos de negócio», explicaram. O Programa, acrescentam, «é intenso e exigente, tornando-se numa experiência única e enriquecedora».

Concluída esta etapa, o próximo objetivo, adianta Maria Inês Almeida é «continuar a trabalhar de forma a colocarmos o nosso produto no mercado o mais brevemente possível».

Sobre o COHiTEC

O Programa COHiTEC é uma iniciativa da COTEC Portugal – Associação Empresarial para a Inovação e foi criado em 2004 com o objetivo de apoiar os participantes na avaliação do potencial comercial dos produtos ou serviços resultantes das tecnologias que desenvolveram e induzir nos participantes competências na área do empreendedorismo e comercialização de tecnologias. Ao longo do programa, os participantes têm acesso a formação em temáticas relevantes para a comercialização das suas tecnologias (geração de ideias de produto e serviço, propriedade industrial, finanças, assuntos legais, desenvolvimento de modelos de negócios, elaboração de um plano de negócios, etc.).

A abordagem do Programa é hands-on, o que significa que os investigadores aplicam as aprendizagens às suas propostas de tecnologia e, com o apoio de estudantes de gestão e mentores, elaboram um projeto de negócio a ser apresentado publicamente no final do COHiTEC. O Programa é realizado com o apoio da Caixa Geral de Depósitos e da Caixa Capital, e em parceria com a Porto Business School, a Nova School of Business and Economics e com docentes das universidades norte-americanas de North Carolina State, Brown e Rutgers.

Desde a sua criação, já participaram no Programa COHiTEC 180 projetos, num total de 928 participantes, entre investigadores, estudantes de gestão e mentores. Os projetos de negócio apoiados pela COTEC deram lugar a 37 empresas de base tecnológica, que receberam, até à data, cerca de 39 milhões de euros de financiamento.

  • Filipe Leite de Sousa

    Excelente. Espero que consiga chegar rápidamente ao mercado. Parabéns!

  • Joao Ferreira

    Gostaria de saber se existe uma página web com informação sobre o MyRNA. Parabéns. Joao

  • António d’Alte da Veiga

    PARABÉNS. Divulguei no facebook.