Fundação Marques da Silva vence Prémio João de Almada 2014

Edifício da Rua Alexandre Braga | Prémio João de Almada 2014

Projeto assinado por três arquitetos da FAUP foi considerado “o melhor exemplo de uma recuperação discreta e atenta, num imóvel simbólico, associado a uma frente urbana de características notáveis”. (Foto: FIMS)

A Câmara Municipal do Porto (CMP) distinguiu a Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva (FIMS) com a edição 2014 do Prémio João de Almada, galardão que premeia, de dois em dois anos, bons exemplos de reabilitação urbana na cidade. Em causa está o projeto de recuperação de um edifício situado no nº 94 da Rua Alexandre Braga, projetado nos anos 20 do século XX, por José Marques da Silva, figura histórica da arquitetura portuguesa e da Universidade do Porto.

Da autoria dos arquitetos Francisco Barata, Nuno Valentim e José Luís Gomes, do Centro de Estudos da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (CEAUP), o projeto vencedor foi considerado, por unanimidade, “o melhor exemplo de uma recuperação discreta e atenta, num imóvel simbólico, associado a uma frente urbana de características notáveis”. O Júri, presidido por Paulo Cunha e Silva, Vereador da Cultura da CMP, integrou ainda representantes da Direcção Regional de Cultura do Norte, da Faculdade de Arquitectura da U.Porto, da Ordem dos Arquitectos e da Associação Regional de Protecção do Património Cultural e Natura.

Projetado por José Marques da Silva em 1923 e atual propriedade da FIMS, entidade instituída pela U.Porto para conservar e divulgar o acervo do arquiteto portuense, o prédio agora recuperado sofria de várias patologias decorrentes da passagem do tempo e da falta de manutenção, que afetavam sobretudo as partes mais próximas da cobertura do edifício. Terminada a intervenção, o imóvel ficará disponível para arrendamento.

Edifício da Rua Alexandre Braga | Prémio João de Almada 2014

Projetado por Marques da Silva em 1923 e propriedade atual da FIMS, o imóvel ficará disponível para arrendamento.

Para a Fundação Marques da Silva, “a intervenção no património edificado reveste-se do maior significado, sendo uma área de ação decorrente da responsabilidade de zelar e devolver a dignidade e a presença urbana a obras da autoria do arquiteto Marques da Silva, em articulação com a vertente de conservação, estudo e divulgação do arquivo que detém sob sua salvaguarda”. Por isso mesmo,  “a distinção obtida constitui um importante incentivo para a prossecução de uma prática que se pretende de referência”.

Para além do prémio, no valor de oito mil euros (a dividir entre o proprietário da obra e os arquitetos), o projeto vencedor fará parte de uma  exposição dos trabalhos concorrentes ao Prémio João de Almada 2014, a inaugurar no próximo mês de outubro.

Sobre o Prémio João de Almada

O Prémio João de Almada foi instituído em 1987 para incentivar e promover a recuperação do património arquitetónico do Porto. É atribuído pelo município ao melhor exemplo de reabilitação que tenha sido concluído na cidade, durante o período de dois anos a que cada prémio se refere.Outubro decorrerá aassim como a cerimónia de entrega do prémio que já foi ganho por obras como a da recuperação do Edifício do Círculo Universitário do Porto, de Fernando Távora, logo em 1990, do Teatro Nacional de São João (João Carreira), e da ilha das Aldas (Pedro Mendes), entre outros.

Sobre a Fundação Instituto José Marques da Silva

Instituída pela Universidade do Porto em 2009, a Fundação Instituto José Marques da Silva (FIMS) tem como missão a classificação, preservação, conservação, investigação, estudo e divulgação de todo o património artístico e arquitetónico do arquiteto José Marques da Silva. Compete-lhe ainda a promoção do acervo literário, artístico, arquitetónico e urbanístico dos arquitetos Maria José Marques da Silva Martins e David Moreira da Silva, bem como o acolhimento de outros fundos ou unidades documentais de valor patrimonial, histórico, científico, artístico ou documental ligados , preferencialmente, à arquitetura e ao urbanismo portuenses. Em 2011 recebeu, em regime de comodato, o arquivo profissional e a biblioteca do arquiteto Fernando Távora. A fundação assinou depois, em 2013, a doação do arquivo e acervo pessoal do arquiteto José Carlos Loureiro e, já em 2014, do arquivo e biblioteca pessoal de Alcino Soutinho.