FLAD Life Science 2020 premeia investigação do i3S

João Morais-Cabral é licenciado em Bioquímica pela U.Porto e Investigador Principal do i3S. (Foto: i3S)

O investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do PortoJoão Morais-Cabral, é o vencedor da segunda edição do Prémio FLAD LIFE SCIENCE 2020, na categoria Investigação Fundamental, uma iniciativa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) destinada a apoiar projetos estruturantes no domínio da ciência e investigação em Portugal.

João Morais-Cabral é líder do grupo de investigação «Bioquímica Estrutural» do i3S e estuda os processos moleculares que nas bactérias regulam os níveis de potássio no seu interior. O objetivo é tentar perceber se um deles poderá ser um futuro alvo para novos e mais eficazes antibióticos.

Todos os seres vivos têm mais potássio do que sódio dentro das suas células, mas no meio externo que banha as células acontece exatamente o oposto. Sabe-se que nos geres humanos o mecanismo que regula este equilíbrio é diferente do das bactérias. Logo, explica o investigador, «se pudermos agir com um fármaco sobre este processo das bactérias, isso não vai interferir com o mecanismo humano». Esta é a abordagem que João Morais-Cabral pretende seguir, começando por perceber a relação potássio-sódio nas bactérias.

Para o investigador, o trabalho premiado – intitulado «Bacterial K+ transporters are potential antimicrobial targets: mechanisms of transport and regulation” – reveste-se de particular importância já que permitirá «continuar a investigação». Mais concretamente, adianta, a verba da FLAD vai servir, entre outras coisas, para que um elemento da sua equipa passe uma temporada no grupo de Zhou Ming, investigador do Biochemistry and Molecular Biology Department, Baylor College of Medicine, Houston, Texas, nos Estados Unidos. (EUA), entidade parceira do projeto e que “dispõe de técnicas que nós não temos”.

João Morais-Cabral vai repartir o prémio de 800 mil euros – para quatro anos – com o médico e neurocientista Miguel Castelo-Branco, do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), Universidade de Coimbra, que recebeu o Prémio para Investigação Aplicada. Os prémios, divididos em partes iguais para cada uma das investigações, foram entregues esta quinta-feira, 26 de janeiro, na sede da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Prémio FLAD LIFE SCIENCE 2020 dirige-se a investigadores vinculados a instituições portuguesas, que produzem ciência em estreita cooperação científica com instituições nos Estados Unidos da América. A ediçã odeste ano contou, uma vez mais, com o aconselhamento e avaliação de um Comité Científico, liderado pela cientista Maria Manuel Mota (Instituto de Medicina Molecular), acompanhada por Rui Costa (Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud) e por Sangeeta Bhatia (Massachusetts Institute of Technology).

Na primeira edição do FLAD LIFE SCIENCE 2020, o também investigador do i3S, Helder Maiato, tinha recebido o galardão na categoria de investigação básica, por um projeto que conta com a parceria da cientista Ekaterina Grishchuck, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Sobre João Morais-Cabral

João Morais-Cabral licenciou-se em Bioquímica pela Universidade do Porto, tendo ficado como investigador assistente no Departamento de Química da Universidade. Doutorou-se na Universidade de Edimburgo, na Escócia, e fez depois o pós-doutoramento com Robert Liddington, primeiro no Dana-Farber Cancer Institute / Harvard University em Boston e depois na Universidade de Leicester no Reino Unido. Foi também professor assistente na universidade americana de Yale e mais tarde promovido a Professor Associado. Em 2008 mudou-se para o Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto (IBMC) como Investigador Principal e é, atualmente, líder do grupo de investigação «Bioquímica Estrutural», no i3S.