Filhos de mães fumadoras têm maior risco de pressão arterial alta

Estudo do ISPUP concluiu que mães que fumam agravam risco de pressão arterial alta nos filhos (Imagem: Pixabay).

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), publicado na revista “Nicotine & Tobacco Research”, concluiu que as mães que fumam agravam o risco de pressão (ou tensão) arterial alta nos filhos, sendo este efeito logo visível aos quatro anos de idade. Os autores do estudo sublinham que as mulheres devem deixar de fumar antes de engravidarem.

A investigação, que envolveu 4295 crianças nascidas em cinco maternidades da Área Metropolitana do Porto, pertencentes à coorte Geração 21 (projeto de investigação que acompanha mais 8 mil crianças da cidade do Porto, desde o nascimento), concluiu que a exposição ao tabagismo materno durante a gravidez está associada a um efeito de aumento da pressão arterial sistólica nas crianças e que é observável logo aos quatro anos. De sublinhar que a pressão arterial sistólica alta está associada ao risco de doenças cardiovasculares, a principal causa de morte no nosso país.

“Num país como Portugal, onde a hipertensão é um problema major, onde muitas pessoas morrem de AVC [Acidente Vascular Cerebral] e muitas grávidas continuam a fumar durante a gravidez, estes resultados demonstram que começa bem cedo a programação da doença [hipertensão arterial] nas crianças. Portanto, a prevenção tem que começar antes“, refere Henrique Barros, responsável do estudo, cuja primeira autora é Maria Cabral.

O estudo examinou a associação entre o tabagismo materno (antes da gravidez, durante a gravidez e quatro anos após o parto) e a pressão arterial das crianças, tendo sido estas avaliadas à nascença e aos quatro anos. Observou-se que os filhos de mães que fumavam apresentavam níveis de pressão arterial sistólica mais elevados.

Os resultados mostram que os filhos das mães que fumaram apresentam um percentil da pressão arterial sistólica superior e que mais de 22% têm já aos 4 anos uma pressão arterial sistólica considerada elevada.

“As mulheres devem deixar de fumar, de preferência antes de engravidarem”, avança Henrique Barros, sublinhado também a necessidade de “programas de cessação tabágica” para as mulheres fumadoras.

A investigação, que concluiu que fumar antes, durante a gravidez e após o parto está associado ao aumento da pressão arterial nas crianças em idade pré-escolar, inova ao mostrar que este efeito já se observa em idades precoces.

O estudo designado “Maternal smoking: a life course blood pressure determinant?” é também assinado por Maria João Fonseca, Camila González-Beiras, Ana Cristina Santos e Liane Correia-Costa.