Universidade do Porto assina parceria “de excelência” com Montpellier

António Sousa Pereira e Philippe Augé, reitores da U.Porto e da Universidade de Montpellier, respetivamente, durante a assinatura do acordo. (Foto: Universidade de Montpellier)

Uma comitiva da Universidade do Porto, liderada pelo Reitor António de Sousa Pereira, viajou recentemente até Montpellier para formalizar a entrada da U.Porto no consórcio MUSE (“Montpellier University of Excellence”), que ambiciona instalar naquela cidade francesa um polo de investigação de excelência mundial nos domínios da agricultura, alimentação, ambiente e saúde.

A U.Porto é a quinta universidade – depois de Barcelona (Espanha), Heidelberg (Alemanha), Wageningen (Holanda) e UC Davis (EUA) – a associar-se a este consórcio criado em 2017 e que reúne uma “elite” de 19 instituições científicas francesas de referência, sob a égide da Universidade de Montpellier, considerada a melhor universidade de mundo no domínio da Ecologia, de acordo com o prestigiado Shanghai Ranking’s Global Ranking of Academic Subjects (GRAS) 2018.

Entre as atividades de cooperação a desenvolver ao longo dos próximos cinco anos incluem-se a mobilidade de pessoal científico e académico, a dinamização de projetos de investigação e programas de ensino conjuntos (incluindo MOOCs – Massive Open Online Courses), ou a organização conjunta de seminários, simpósios e conferências.

De forma a apoiar a operacionalização das atividades do projeto, será instalado na Universidade de Montpellier um “Laboratório Externo” do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da U.Porto (CIBIO-InBIO). A implementar ao longo de 2019, esta estrutura – que ficará ligada à Agropolis International, associação que reúne uma comunidade de mais de 2.700 investigadores e docentes especializados nas áreas da agricultura, alimentação, biodiversidade e ambiente – vai ter como missão apoiar a colaboração científica entre a U.Porto, os restantes parceiros do MUSE e outras instituições europeias. “Só isto já é um ganho tremendo”, aponta Nuno Ferrand, diretor do CIBIO-InBIO. Mas pode ser ainda maior…

CIBIO-InBIO quer ser… BIOPOLIS

Envolvendo uma equipa de mais de 400 pessoas e 34 grupos de investigação, o CIBIO-InBIO é o maior centro científico nacional na área das ciências biológicas. (Foto: CIBIO-InBIO)

Na verdade, a entrada da U.Porto no projeto MUSE serve também para “apadrinhar” o BIOPOLIS, um outro projeto que o CIBIO-InBIO está a desenvolver com a Universidade de Montpellier e que, caso seja aprovado pela Comissão Europeia ao abrigo do instrumento «TEAMING» do programa Horizonte 2020, poderá trazer para Portugal um financiamento de 80 milhões de euros durante os próximos sete anos.

O objetivo é tão “simples” quanto ambicioso. “O objetivo deste TEAMING passa por tornar o CIBIO num centro de referência mundial na área da biodiversidade e da sustentabilidade daqui a sete a dez anos. Atualmente, já somos o maior centro de ciências biológicas do país, temos mais de 400 pessoas, 34 grupos de investigação, mas agora que chegamos até aqui, acreditamos que podemos fazer muito mais”, projeta Nuno Ferrand.

Para dar corpo ao BIOPOLIS, o diretor do CIBIO-InBIO conta então com a parceria da Universidade de Montpellier, com a qual a U.Porto vem desenvolvendo “uma colaboração intensíssima há mais de 15 anos”. Mas não só. “O que fizemos foi envolver todos os laboratórios associados da Universidade do Porto (REQUIMTE, INESC TEC, CIIMAR e i3S)”, a que se juntarão ainda laboratórios da Universidade do Minho, da UTAD e do Politécnico de Bragança, várias empresas e organizações a nível local e regional, e ” instituições fora da região norte que são relevantes na nossa área”.

Como “ás de trunfo” do cluster , Nuno Ferrand destaca ainda “um conjunto excecional de cátedras convidadas”, fruto de parcerias estabelecidas com “muitas empresas, quer nacionais quer estrangeiras, que assinaram declarações de compromisso. Fomos buscar desde empresas que já trabalham connosco como a EDP ou a REN, mas também empresas chinesas, norte-americanas, sul-africanas e francesas”.

Deste esforço conjunto espera-se então que resulte uma «superstrutura de investigação» “capaz de responder aos novos desafios que se colocam hoje em áreas de ponta como a genómica, a biologia computacional, a bioinformática, ou a monitorização ambiental”

Submetido em 2017, o projeto BIOPOLIS já ultrapassou uma primeira fase de candidatura, de que resultou uma seleção restrita de 30 projetos finalistas, dos quais apenas dois são portugueses. “Nós fomos a terceira candidatura melhor classificada e a partir daí tivemos um ano e meio para preparar a segunda fase, que foi precisamente o que fomos fazer a Montpellier. Foi o timing perfeito!”, considera Nuno Ferrand.

O diretor do CIBIO-InBIO mostra-se por isso “muito otimista” para a fase decisiva de candidatura, submetida em novembro e que estará sob avaliação durante cinco a seis meses. Até porque “das 30 propostas finalistas, 10 serão aprovadas.” E mesmo que não seja, remata o investigador, “muitas das parcerias que fizemos vão avançar e todo o trabalho que foi feito será sempre excelente para a Universidade do Porto, para o CIBIO e para a comunidade civil”.