“Marcha da Fome” de Pevidém eternizada em livro

Em 1944, a população de Pevidém fez-se ouvir numa marcha simbólica contra a falta de pão. (Foto: pormenor da capa do livro)

Em meados anos 40 do século XX, em plena ditadura, uma manifestação contra a fome levada a cabo pela população de Pevidém marcou a história daquela vila do concelho de Guimarães. Mais de 70 anos depois, é em jeito de homenagem a essas gentes que se apresenta “Marcha da Fome de Pevidém: Memórias de um passado na inquietude do agora”, título do terceiro livro lançado no âmbito do projeto “Raízes”, uma iniciativa promovida pelo Instituto Paulo Freire de Portugal e que conta com a parceria do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP).

Marcada para as 18h do próximo dia 18 de março,  a apresentação do livro vai ter lugar na Sala do Fundo Antigo do edifício da Reitoria da U.Porto (Praça Gomes Teixeira). A sessão contará com a participação dos autores da obra – Luiza Cortesão e Francisco Neves – e de Manuel Loff, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais e investigador do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória.

“Marcha da Fome de Pevidém: Memórias de um passado na inquietude do agora” constitui então o terceiro lançamento do projeto “Raizes”, uma iniciativa inserida no âmbito da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, que se centrou na recolha de um conjunto de observações, documentos, depoimentos e memórias de diferentes grupos socioculturais da região. Da reunião, análise e ilustração desses dados resultou, por sua vez, um conjunto de livros, através dos quais a equipa de investigação, centrada na FPCEUP, procura dar visibilidade a saberes de pessoas que trabalharam na indústria, viveram situações de pobreza, tiveram experiências de migração, entre outros aspetos culturalmente significativos para a população de Guimarães.

O primeiro destes livros, intitulado “Quando eu nasci, aquela fábrica já ali estava”: Memórias, vivências e opiniões sobre o trabalho na indústria em Guimarães”, foi lançado no dia 13 de novembro de 2012. O segundo, centrado a temática da pobreza, tem como título “Ó mãe, deia-nos pão!- Escutando quotidianos de pobreza”, e foi apresentado a 17 de dezembro de 2012.

Brevemente serão lançadas mais duas obras: “O mundo todo é de todo o mundo – Narrativas de migrantes em Guimarães” e “Caleidoscópio de fragmentos culturais – Olhando e escutando Guimarães”.