Tiago Antunes Lopes

Tem 32 anos de idade , é natural da Maia e venceu recentemente o Prémio do Internato Médico do Centro Hospitalar São João. Tiago Lopes, estudante de Doutoramento da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e médico interno no Serviço de Urologia do Centro Hospitalar São João (CHSJ), dedicou-se a investigar o síndrome de bexiga hiperativa, que lhe valeu o galardão de 5 mil euros.

O estudo distinguido centra-se no papel potencial das neurotrofinas urinárias como biomarcadores no síndrome de bexiga hiperativa e foi publicado no The Journal of Urology, uma das mais prestigiadas edições científicas na área da Urologia, a nível mundial. Esta distinção não é de estranhar, pois o jovem investigador apresenta um currículo de relevo: membro do Grupo de Neuro-urologia de Translação do Instituto de Biologia Molecular e Celular da U.Porto (IBMC), é detentor de vários prémios e tem cerca de 9 artigos publicados como primeiro autor.

Sem rodeios, admite que não gostaria de ter de emigrar para conseguir exercer a sua profissão e investigar. Assim, e num âmbito mais pessoal, Tiago Lopes não consegue escolher apenas um livro, um músico ou prato preferido, pois a lista é bem completa, mas realça, sem dúvida alguma, que a sua viagem de sonho será realizada do deserto de Atacama até à Patagónia. Mais um ponto certo: prefere a companhia da família e amigos, “a viajar, à mesa, no cinema, a ler ou a descansar “ para passar os tempos livres, atribuindo a sua inspiração de vida ao filho.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Do dinamismo, da ambição e da mentalidade à Porto, da mística desta cidade que também caracteriza a sua Universidade. Gosto muito da grande identificação dos portuenses com a cidade e os seus símbolos. A Universidade do Porto é um deles.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Da dispersão das faculdades em vários pólos. A proximidade física entre faculdades tornaria possível juntar em tertúlias de café médicos, engenheiros, biólogos, físicos, historiadores, arquitectos, professores, economistas, magistrados, matemáticos, farmacêuticos, psicólogos, filósofos e artistas. É deste encontro plural que brotam as melhores ideias e nascem parcerias.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Rentabilizar os recursos humanos e as infraestruturas existentes, reconhecer o trabalho e premiar o mérito.

– Como prefere passar os tempos livres?

Com a família e amigos, a viajar, à mesa, no cinema, a ler ou a descansar.

– Um livro preferido?

Impossível escolher só um entre tantos que me marcaram. Cito alguns: A cidade e as serras de Eça de Queirós; Por quem os sinos dobram de Ernest Hemingway; As rosas de Atacama de Luís Sepúlveda; As mãos e os frutos de Eugénio de Andrade; Os livros de crónicas de António Lobo Antunes.

– Um músico / disco preferido?

Impossível escolher só um entre tantos músicos e álbuns extraordinários. Músicos: António Carlos Jobim, Carlos Paredes, Jorge Palma, Camané, Carminho, Ana Moura, Deolinda, Miguel Araújo, Miles Davis, Stacey Kent, Feist, Keane.
Disco: Getz/Gilberto (1964); Solo (António Pinho Vargas, 2008); The Imagine Project (Herbie Hancock, 2010), O melhor de Carlos Paredes (1998).

– Um prato preferido?

É mais uma vez impossível escolher só um. Adoro o arroz de tamboril da minha mãe, o cabrito assado em forno de lenha, o peixe grelhado fresquinho do nosso mar ou as sardinhas assadas que estão quase a chegar.

– Um filme preferido?

“A Vida é Bela”, de Roberto Benigni, 1997; “Match Point”, de Woody Allen, 2005.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Já realizada: um périplo no Tibete; de comboio no planato tibetano até Lhasa, passando por Gyantse e Shigatse até ao campo base do Monte Evereste. Por realizar: uma viagem do deserto de Atacama à Patagónia.

– Um objetivo de vida?

O prazer está no caminho e não no objectivo. A vida deve ser vivida com prazer. Palavras sábias do meu Orientador de Formação (Prof. Doutor Carlos Silva) que fazem cada vez mais sentido. Em termos pessoais, não gostava de ter de emigrar para conseguir exercer medicina e investigar.

– Uma inspiração?

O meu filho. E tantas pessoas e lugares que conheci até hoje…

– Uma ideia para promover a qualidade da investigação médica na U. Porto?

Uma delas já foi conseguida. Unificar os melhores centros de investigação da cidade (I3S) para reunir recursos humanos e materiais, de modo a conseguir mais fundos e maior reconhecimento internacional. Outra seria promover mais o mecenato científico, uma vez que na região Norte do país estão sediadas várias empresas multinacionais que podem ter um papel interventivo nesta área.