Sofia Costa de Oliveira

Sofia Costa de Oliveira (Pessoa)O ar da menina engana, mas Sofia Costa de Oliveira dedica-se há quase duas décadas à docência e à investigação na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Professora e investigadora do Serviço de Microbiologia e membro grupo de investigação MicroMed do CINTESIS (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde), foi recentemente distinguida com uma bolsa que lhe permitirá trabalhar no desenvolvimento de novas formas de tratar as infeções fúngicas

Licenciada em Microbiologia pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, Sofia ingressou em 1998 no Serviço e Laboratório de Microbiologia da FMUP. Quatro anos mais tarde, inicia o Mestrado em Saúde Pública, que completaria com uma tese sobre fatores de risco para infeção hematogenea por leveduras patogénicas. Em 2012 apresentou as Provas de Doutoramento na área da Biomedicina, ocupando, desde então, o cargo de professora auxiliar na FMUP.

Focado na investigação médica translacional, o percurso científico de Sofia Costa de Oliveira tem incidido no estudo dos mecanismos de resistência aos antimicrobianos e sua reversão farmacológica, temas que abordou em cerca de 40 artigos científicos publicados em revistas internacionais e três capítulos de livro.

Apaixonada por novos desafios, fundou em 2013, juntamente com mais dois colaboradores, uma spin-off  orientada para a investigação e desenvolvimento em biotecnologia. O objetivo passa por potenciar a criação de soluções inovadoras para melhorar a qualidade e rapidez da decisão em saúde.

No passado dia 9 de março, foi premiada com a Bolsa do GIS/Astellas de Investigação em Micologia Médica, no valor de 10 mil euros, que irão financiar um projeto  orientado para o desenvolvimento de novas formas de tratar as infeções fúngicas. O objetivo passa pelo“desenho de novas estratégias terapêuticas para ultrapassar a problemática da resistência ou tolerância às equinocandinas, pelos fungos patogénicos, com implicações na Saúde Pública, Biotecnologia e Agricultura”.

Idade?

40 anos.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Dos estudantes, da qualidade de ensino e do excelente portefólio de investigadores, que contribuem para que a U.Porto tenha grande visibilidade e reconhecimento internacional. O grande apoio e estímulo ao empreendedorismo também têm sido fundamentais. É um orgulho pertencer à família U.Porto, e já lá vão 18 anos!

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Da falta de financiamento e apoios à investigação, o que leva à perda de investigadores e colaboradores brilhantes. E também da falta de colaboração e partilha entre as diferentes Unidades orgânicas da Universidade do Porto.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto? 

Uniformizar os critérios de avaliação da carreira de docente dentro da Universidade.

– Como prefere passar os tempos livres?

A passear ao ar livre com os meus filhos ou, nas noites de inverno, a ver um bom filme em família com o calor da lareira.

– Um livro preferido?

Tenho vários livros preferidos e não consigo eleger um.

– Um disco/músico preferido?

Freddie Mercury.

– Um prato preferido?

Panados de peru e sushi.

– Um filme preferido?

Vários: “A Grande Evasão”, a saga “Star Wars”, a trilogia de “O Senhor dos Anéis”.

– Uma viagem de sonho? 

Israel (realizada); Nova Zelândia (por realizar).

– Um objetivo de vida?

Ser feliz e fazer os outros felizes.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

A minha avó Rosalina. Os meus filhos, Leonor e Afonso.

– O projeto da sua vida…

Viver o dia-a-dia da melhor forma possível, procurando sempre aprender cada vez mais.

– O que falta fazer na área da Micologia Clínica, em Portugal?

Muito! Em Portugal há pouquíssimos grupos que se dedicam à investigação de fungos patogénicos. Muito há a fazer no que respeita à obtenção de dados epidemiológicos nacionais relativamente a infeções fúngicas invasivas. Devemos dedicar mais atenção ao estudo da evolução das resistências aos antifúngicos, realidade cada vez mais frequente no contexto clinico, mas que, na minha opinião, ainda não se deu a importância merecida. Relativamente às infeções bacterianas, as opções terapêuticas são diversas, ao contrário das infeções fúngicas, com opções terapêuticas muito limitadas. É urgente a investigação em novas abordagens terapêuticas assim como em novos métodos de diagnóstico, de modo a detetar a resistência antifúngica em tempo útil.