João Falcão e Cunha

João Falcão e Cunha (Pessoa)

João Falcão e Cunha

Se tivesse uma máquina do tempo, de preferência ao estilo da comandada por David Bowman em «2001 Odisseia no Espaço», João Falcão e Cunha viajaria até ao Portugal de 2114 “para ter perspetiva sobre o que se passa agora”… Assim é o novo Diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Observador por natureza, vibra com as “pessoas apaixonadas, entusiastas e compreensivas” que encontra diariamente na Universidade. As mesmas para quem promete trabalhar nos próximos quatro anos por “uma ainda maior afirmação nacional e internacional de toda a U.Porto”.

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela FEUP (1983), o novo líder da FEUP prosseguiu os estudos em Inglaterra onde concluiu o Mestrado em Investigação Operacional na Universidade de Cranfield (1984) e mais tarde o doutoramento em Ciências de Computação no Imperial College (1989). Docente da FEUP desde 1987, com atividade na área de Engenharia Industrial, de Serviços e Gestão e da Engenharia Informática,  é Professor Catedrático do Departamento de Engenharia e Gestão Industrial da FEUP.

Diretor do Mestrado Integrado em Engenharia Industrial e Gestão desde 2003, liderou o processo de criação do Mestrado em Engenharia de Serviços e Gestão em 2007. Coautor, em 1994, da proposta de criação da Licenciatura em Engenharia Informática e Computação (LEIC), atualmente Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação (MIEIC), participou no lançamento de vários cursos de mestrado e programas de doutoramento em Engenharia Industrial e Gestão (2003) e em Engenharia Informática (2004). É, desde 2004, o coordenador do programa MOBILE com o Brasil, um programa de intercâmbio de estudantes na área de engenharia.

João Falcão e Cunha é ainda Diretor Académico do Centro de Estudos Avançados da IBM em Portugal, desde 2009 e assumiu o cargo de delegado de Portugal ao programa Horizonte 2020 na área dos transportes inteligentes, ecológicos e integrados em 2013. Entre 2001 e 2003 integrou a Comissão Executiva do Conselho Diretivo e a Comissão Coordenadora do Conselho Científico da FEUP, tendo sido vice presidente do Conselho Pedagógico e membro por inerência do Senado da U.Porto.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Das pessoas apaixonadas, entusiastas e compreensivas que contribuem para que a Universidade seja melhor e mais agradável. Sobretudo quando são capazes de sorrirem no meio das adversidades! Na Universidade do Porto e na Faculdade de Engenharia há muitas pessoas assim.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Da falta de lugares e tempos para comunicação informal entre pessoas de várias especialidades, experiências, culturas e idades e que potencie a criação de ideias novas.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Criar espaços e momentos favoráveis à comunicação onde se permita a troca e valorização de ideias novas aproveitando a experiência e o tempo das pessoas apaixonadas, entusiastas e compreensivas.

– Como prefere passar os tempos livres?

A viajar, com boa companhia e com um bom livro, observando e ouvindo. Gosto muito de viajar na Europa e na América do Sul, passear próximo do mar ou no cimo de uma montanha, de preferência com Sol e calor.

– Um livro preferido?

“Dom Pedro I”, por Neill W. Macaulay. O relato da vida do primeiro imperador do Brasil e depois Rei de Portugal. É um livro essencial para entender como o Brasil nasceu e se manteve unido. E também sobre Portugal.

– Um disco/artista preferido?

Ancient Heart, de Tanita Tikaram, 1988. Faz-me recordar os últimos meses do trabalho de doutoramento em Londres. Já tinha terminado a escrita da tese e aguardava os comentários do meu orientador. Como havia uma greve dos docentes tive de esperar uns meses pelo exame final…

– Um prato preferido?

Posta mirandesa, sobretudo no Inverno, com boa companhia e um bom vinho tinto. De preferência Sábado, ao almoço, ou em férias.

– Uma bebida?

Porto Tónico.

– Um filme preferido?

«2001 Odisseia no Espaço», de Stanley Kubrick, baseado num livro de Arthur C. Clarke. Lembro-me de o ter visto pela primeira vez quando tinha uns 10 anos, num cinema ao ar livre em Luanda. Revi-o há pouco tempo no cinema, numa sessão de clássicos. Muito melhor do que numa televisão, mesmo grande 🙂

– Uma inspiração?

Um desafio difícil mas que permita melhorar a vida de uma ou mais pessoas.

– Uma viagem de Sonho?

Visitar Portugal, dentro de 100 anos, para ter perspetiva sobre o que se passa agora…

– Uma citação?

«Para vencer — material ou imaterialmente — três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar oportunidades, e criar relações. O resto pertence ao elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama sorte.» Fernando Pessoa, “Revista de Comércio e Contabilidade”, 1926.