Hernâni Zão Oliveira

Com apenas 29 anos, Hernâni Zão é já autor de várias conquistas, que vão desde a participação na criação de um Laboratório de Criação para a Literacia em Saúde na Universidade do Porto até à coordenação de um projeto que se destina a ajudar crianças internadas com cancro a melhor combater a doença.

HOPE. Assim se chama o videojogo que o atual estudante de douroamento da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) começou a desenvolver em 2013, no âmbito do mestrado em Oncologia no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS). Quatro anos depois, o projeto “soma” ainda uma app para pais de crianças com cancro, para além de vários reconhecimentos nacionais e internacionais, dos quais se destaca a recente vitória no Astellas Oncology C3 Prize, um concurso internacional que distingue – com 50 mil euros – tecnologias para doentes oncológicos.

Neste projeto estiveram ainda envolvidos um outro alumnus da FEUP, Nuno Patraquim, que participou no desenvolvimento do software para o jogo, Rui Rodrigues, docente do Departamento de Engenharia Informática da FEUP, e o grupo de videojogos da FEUP, após uma colaboração assinada entre a U.Porto e a BRIGHT, startup fundada em 2013 por Hernâni Zão e detentora desta ideia.

Apreciador de boa comida, música clássica e de viagens, Hernâni tem como objetivo de vida atingir o conhecimento necessário para realizar eficazmente aquilo que deseja. O currículo fala por si. Duplamente licenciado pela U.Porto – em Biologia (2009) e Ciências da Comunicação (2012) -, é mestre em Oncologia pelo ICBAS (2011). Desde 2015, frequenta o programa de doutoramento em Media Digitais da FEUP.

– Naturalidade? Esposende, Braga, Portugal

– Idade? 29 anos

– De que mais gosta na Universidade do Porto?
Da qualidade do seu ensino e investigação, o reconhecimento pelas instituições pares e a aposta na inovação a par com a valorização da tradição.

De que menos gosta na Universidade do Porto?
Da ainda insuficiente colaboração verdadeiramente interdisciplinar entre faculdades e centros de investigação, e da falta de programas de colaboração que possam colocar o conhecimento académico ao serviço da comunidade.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
A criação de um programa de sinergias entre unidades orgânicas e autoridades locais e regionais, para responder de forma multidisciplinar aos desafios societais mais prementes.

– Como prefere passar os tempos livres?
Juntar o meu (quase) vício por viajar a bons pretextos: um concerto, uma ópera ou uma possível colaboração para um trabalho futuro. As boas conversas com amigos são imprescindíveis. Ir ao cinema – preferencialmente sozinho.

– Um livro preferido?
O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde; O Amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel Garcia Márquez; e Sophia de Mello Breyner – Obra Poética. Três livros oferecidos por grandes amigos, em honra à irreverência, perseverança, e à simplicidade-grandiosidade, respetivamente.

– Um disco/músico preferido?
Bach e Puccini são essenciais. Pela aproximação da quadra natalícia, destaco ainda “Magnificat em Talha Dourada”, de Eurico Carrapatoso, um dos melhores compositores contemporâneos portugueses, e alumnus da Universidade do Porto.

– Um prato preferido?
Sushi e pratos estrategicamente selecionados da minha família: os assados de domingo da mãe, o bacalhau da tia Sandra, a feijoada da tia Amélia e o salame de chocolate da tia Sameiro.

– Um filme preferido?
“The Hours”, de Stephen Daldry. “A Long Dimanche de Fiançailles”, de Jean Pierre Jeunet.

– Uma viagem de sonho?
Realizada – Um mês de couchsurfing por Nova Iorque, Boston e Washington D.C. Por realizar – Acompanhar uma expedição científica marítima. Egito e Austrália.

– Um objetivo de vida?
Atingir o conhecimento necessário para realizar eficazmente aquilo que desejo.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)
A Arte. A utopia do Homem Renascentista. A minha família.

– O projeto da sua vida…
Não consigo definir apenas um, mas utilizando como critério a prioridade de concretização, desejo conseguir levar a bom porto, juntamente com a Professora Helena Lima, o desenvolvimento e sustentabilidade do LACLIS – Laboratório de Criação para a Literacia em Saúde. Recente projeto ligado ao U. Porto Media Innovation Labs, tornou-se meu objeto de estudo de doutoramento.

– O grande objetivo a cumprir no âmbito do projeto HOPE?
Obter financiamento para se poder concluir o desenvolvimento e implementação do projeto, de forma a garantir a mais ampla disseminação possível e com criação de impacto no acompanhamento e prevenção do cancro.

  • Rui António Agonia Pereira

    Gosta-se do modo como expõe e o gosto que o motiva em continuar trabalhando sempre em grupo- excepto nas idas ao cinema.