Bernardo Silva

De ascendência carioca, mas com um coração bem português, Bernardo Silva fez todo o seu percurso académico na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), onde desde cedo se começou a especializar em energias renováveis.

Foi, aliás, nesta área que defendeu a tese de mestrado (em 2009) e que escreveu a tese de doutoramento que lhe valeu, no final do ano passado, o prémio APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis.

Com o título “Multi-terminal HVDC grids: Control strategies for ancillary services provision in interconnected transmission systems with offshore wind farm”, a tese foca o tema da  integração de energia eólica offshore . Um trabalho orientado por Hélder Leite e co-orientado por Carlos Moreira (ambos investigadores no INESC TEC e professores na FEUP), realizado no âmbito do Programa de Sistemas Sustentáveis de Energia do MIT Portugal, na FEUP.

A tese aprofundou algumas questões que Bernardo Silva já vem investigando no INESC TEC, onde está desde 2009. Enquanto investigador deste instituto já participou numa dezena de projetos de investigação e estudos de consultoria, sendo as questões relacionadas com a integração de recursos renováveis assim como a operação dos sistemas elétricos, aquelas que mais lhe despertam interesse.

Além de investigador no INESC TEC, é também professor convidado no Instituto Superior da Maia (ISMAI) e no Instituto Superior Politécnico de Gaya (ISPGaya).

Apesar de ter recebido das mãos da APREN a distinção mais importante da área a nível nacional, Bernardo Silva não dá por terminada a sua “missão”. O investigador quer “continuar a trabalhar de forma a poder contribuir para o avanço do “estado-da-arte” e simultaneamente com a indústria, de modo a poder aplicar conceitos inovadores para solucionar problemas reais de engenharia.”

Naturalidade?

Rio de Janeiro, Brasil

Idade?

32 anos

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Gosto da qualidade com que representa a cidade.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Da dispersão geográfica dos diversos polos.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto? 

Na minha opinião, a melhoria da Universidade do Porto passa pela aposta nas gerações mais novas visando a continuidade das linhas de sucesso dos últimos anos quer na investigação, quer no ensino.

– Como prefere passar os tempos livres?

Dedico os meus tempos livres à música.

– Um livro preferido?

Tenho muitos, científicos!

– Um disco/músico preferido?

Um só? Nos dias de hoje o conceito de disco já não é o que era. As músicas são peças soltas em MP3. Eu gosto do conceito de disco e normalmente é difícil encontrar um disco de que se goste de todas as músicas. Assim, de repente, vem-me à cabeça:

The Cinematic Orchestra – Live at the Royal Albert Hall

Portishead – Roseland NYC Live

– Um prato preferido?

Strogonoff de camarão

– Um filme preferido?

“Tropa de Elite”.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Os meus sonhos com viagens são sempre no cockpit, como piloto (um sonho de criança que ainda está por realizar, quem sabe?). Relativamente a destinos que gostaria de conhecer, seriam o Havai, Cuba e Jamaica.

– Um objetivo de vida?

Proporcionar à minha família o que proporcionaram a mim.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

O meu avô, pelo que construiu durante a vida, sempre com respeito, dignidade, lealdade, humildade e espírito de ajuda ao próximo.

– Uma ideia para a integração progressiva das energias renováveis no nosso país?

A integração de energias renováveis no nosso país tem sido notícia na imprensa estrangeira. Em Maio de 2016, estivemos 107 horas consecutivas, alimentados por energia elétrica proveniente de fontes renováveis. No ano de 2016, 57% do consumo de energia elétrica foi proveniente de fontes de energias renováveis. Pode-se dizer que os esforços feitos nos últimos anos estão a dar frutos. Todavia, para mantermo-nos no ranking, é necessário tirar partido da redução dos custos das tecnologias de transformação de energia e criarmos mecanismos que promovam atempadamente o investimento em “retrofit” – re-equipamento de instalações próximas ao fim de vida útil assim como, o investimento em energia solar e o armazenamento residencial de energia.

No panorama atual muito se fala sobre o anúncio do aumento do IMI para habitações que tenham melhor exposição solar. Sou da opinião que haveria de haver, por exemplo, uma redução do IMI para as habitações que tirem partido dessa exposição para produzir energia elétrica e entregar à rede, beneficiando os consumidores e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.