FEP e FBAUP classificadas como Monumentos de Interesse Público

A FBAUP ocupa um antigo palacete do século XIX (Palacete Braguinha), "símbolo" do ensino das Belas Artes no Porto desde 1928.

Os edifícios da Faculdade de Belas Artes (FBAUP) e da Faculdade de Economia (FEP) da Universidade do Porto acabam de ser classificados como Monumentos de Interesse Público pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

A Faculdade de Belas Artes (FBAUP) situa-se no centro da cidade do Porto, ocupando um antigo palacete do século XIX (Palacete Braguinha) que está umbilicalmente ligado, desde 1928, ao ensino das Belas Artes na cidade. Das valências do complexo, a DGPC  destaca “a qualidade  intrínseca dos edifícios e jardins, incluindo o edifício original oitocentista, terminado em 1873, e então considerado um dos mais belos edifícios habitacionais do Porto”. São ainda destacados “os pavilhões modernos, construídos entre a década de cinquenta e os anos 90 por alguns dos mais destacados engenheiros e arquitetos da época”,”os jardins, projetados no final do século XIX” e “o valor artístico do espólio conservado no Museu da FBAUP”, palco de uma verdadeira aula de história da arte portuguesa”

Inaugurado em junho de 1974, o edifício da FEP constitui uma das imagens de marca da obra do arquiteto Vieira de Lima.

Já o edifício da Faculdade de Economia, inaugurado em junho de 1974, foi um dos primeiros a ser erigidos no Pólo II (Asprela) da U.Porto. Da autoria do arquiteto Viana de Lima, o projeto (cujos primeiros estudos remontam a 1960) conjuga a opção pela modernidade, com uma visão arquitectónica mais conservadora das autoridades da época. “A coerência formal e a qualidade arquitetónica do imóvel são o melhor testemunho da mestria do seu criador, um dos mais destacados e influentes autores da Arquitetura Portuguesa da segunda  metade do século XX”, realça a DGPC.

A “pureza geométrica dos volumes, aliada à utilização intensiva do betão à vista”, e o “jogo de transparências interiores” são outros pontos realçados numa “obra já consolidada no âmbito do percurso histórico da arquitetura moderna  portuguesa, e que se impõe na cidade, tanto pela escala como, e sobretudo, pela importância institucional”.

Quer no caso da FBAUP quer no da FEP, a classificação atribuída vai de encontro aos critérios constantes do artigo 17.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de  setembro, relativos ao “caráter matricial do bem, ao génio do respetivo criador, ao seu interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco e à sua  conceção arquitetónica, urbanística e paisagística”.

A classificação patrimonial agora obtida resulta de duas propostas elaboradas pela Direção-Geral do Património Cultural no final de 2012 e vai de encontro de um desejo antigo das duas instituições. A U.Porto vê também enriquecido o valor patrimonial do seu campus, onde um conjunto de novos e modernos edifícios tem vindo a coabitar com outros que constituem referências no universo cultural e arquitetónico da cidade.

Recorde-se que, para além das duas faculdades agora classificadas, também o Observatório Astronómico Professor Manuel de Barros da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP) detém o estatuto de  monumento de interesse público, atribuído em 2012. Na base da decisão esteve “a importância do bem do ponto de vista da investigação histórica ou científica” bem como o seu ” valor estético e técnico”.