Estudo traça competências a melhorar pelas spin-offs académicas

Trabalho envolveu a realização de entrevistas e/ou inquéritos a 99 CEOs de spin-offs académicas. (Foto: DR)

Dificuldades em obter financiamento e em chegar com sucesso aos mercados estrangeiros, pouca valorização da área das vendas e visão demasiado técnica do mercado. Estas são algumas das debilidades que podem ser melhoradas pelas spins-offs académicas (empresas nascidas nas universidades e politécnicos) portuguesas, de acordo com um estudo internacional que contou com a participação do INESC TEC (Laboratório Associado coordenado pelo INESC Porto).

Realizado em quatro países (Portugal, Holanda, Polónia e Finlândia) este trabalho concluiu que os spin-offs criados nas universidades e politécnicos têm uma visão muito técnica do negócio e descuram a vertente comercial, o que afeta o crescimento das empresas. “Ter um bom produto não chega se ninguém o comprar”, alerta Manuel Au-Yong Oliveira, investigador do INESC TEC).

De acordo com o diagnóstico traçado às empresas, “verifica-se que a área das vendas tem uma conotação negativa”. Segundo Manuel Au-Yong Oliveira , “os empreendedores académicos têm muitas vezes a expetativa de que o produto se vende sozinho e por isso não apostam, em especial desde o início, em profissionais especializados nesta área, nem em estudos prévios de recetividade dos produtos e serviços pelo mercado, por exemplo em termos do preço a praticar”.

Outro entrave ao crescimento das empresas empreendedoras nascidas da academia passa pela obtenção de capital. Numa altura em que crise financeira internacional faz com que os investidores se retraiam, as dificuldades atingem sobretudo as empresas que dependem do mercado interno. “Portugal tem graves problemas de escala. Somos 10 milhões e o país está com dificuldades económicas”, explica o investigador do INESC TEC.

Para este estudo, cujos parceiros portugueses são o INESC TEC e a Advancis Business Services, foram entrevistados e/ou inquiridos 99 CEOs de spin-offs académicas de Portugal, Holanda, Polónia e Finlândia. Do trabalho saiu igualmente um Programa de Formação Avançada em áreas como “Vendas, Marketing e Inovação”, “Finanças” e “Internacionalização”, que já teve sessões piloto em três países. “Pretendemos dar um empurrãozinho aos empreendedores, portugueses mas não só, e ajudá-los a chegar mais longe”, assegura Manuel Au-Yong Oliveira.

Os parceiros internacionais do estudo são a Leaders2Be, a Universidade Técnica de Delft (ambas da Holanda) e a Universidade de Tecnologia de Lappeenranta (Finlândia). Este estudo integra-se no projeto “Spin-up”, financiado pela Comissão Europeia no âmbito do Programa Erasmus (cooperação entre Empresas e Universidades).