Vamos, à noite, ao cinema? Tempo, memória e resistência é o título de um ciclo de cinema que foi programado pelo Porto/Post/Doc, em parceria com a Reitoria da Universidade do Porto. Começa já no próximo dia 28 e vai até 30 de junho, sempre às 21h30, no Pátio do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.

Nostalgia da Luz, de Patricio Guzmán, Honeyland – A Terra do Mel, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, e Feliz como Lázaro, de Alice Rohrwacher, são os três primeiros filmes de um ciclo que pretende oferecer uma visão renovada, crítica e poética sobre temas que marcaram a vida social e política do século XX.

Nostalgia da Luz, de Patricio Guzman, é a primeira proposta, já para a noite de 28 de junho. “Porque é que a Ciência se apaixonou pelo céu do Chile?” Trata-se de um documentário que, das estrelas desce à terra e, aos ombros de uma perspetiva no feminino, dá voz às mães dos presos políticos desaparecidos e recorda a eterna luta contra o esquecimento das vítimas do regime de Pinochet.

Atravessamos o Atlântico até ao sudeste da Europa. É da Macedónia que nos chega um documentário nomeado para os Óscares: Honeyland – A Terra do Mel, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov. Este segundo filme, previsto para a noite de 29 de junho, é uma procura de equilíbrio entre o respeito pela natureza e pela tradição versus os perigos da ganância e do lucro fácil. É uma parábola poética sobre este nosso tempo de grandes contradições.

Feliz como Lázaro, de Alice Rohrwacher

A terceira e última noite propõe uma viagem temporal de várias décadas. Premiado no Festival de Cannes, Feliz como Lázaro, de Alice Rohrwacher, coloca-nos entre o realismo mágico da literatura e o universo cinematográfico de Federico Fellini. Depois de e Corpo Celeste e O País da Maravilhas, Alice Rohrwacher viaja pela memórias do protagonista, num diálogo entre a inocência e a maldade humana. O cinema italiano surge, aqui, revisto num conto encantatório que mistura atores profissionais e não profissionais.

O ciclo será retomado em Setembro, convocando memórias pessoais, familiares e coletivas, sempre num cruzamento de valores humanistas e pretendendo contribuir para a luta contra ideais populistas, o irracional e o esquecimento. No total serão mostrados, em vários pontos da cidade, 10 filmes de cineastas com perspetivas diferentes, mas sempre politica e socialmente empenhados.

As sessões no Pátio do Museu decorrem sempre pelas 21h30. A entrada é livre, mas limitada à lotação do espaço.