A não adesão aos planos terapêuticos contribui para cerca de 200.000 mortes prematuras na União Europeia todos os anos, e coloca um fardo económico extra nos sistemas nacionais de saúde. É precisamente para promover a adesão dos pacientes aos planos terapêuticos que surge o projeto internacional BEAMER. Com duração de 5 anos e um orçamento de quase 12 milhões de euros, o BEhavioral and Adherence Model for improving quality, health outcomes and cost-Effectiveness of healthcaRe (BEAMER) será liderado pela Universidade do Porto, em conjunto com a Pfizer, a Merck KGaA, e 28 parceiros oriundos da academia, sociedade civil e indústria.

“A não adesão à terapêutica é um problema de saúde pública, com um impacto significativo na qualidade de vida e estado de saúde – incluindo o risco de morte prematura – dos pacientes”, diz Elísio Costa, Coordenador do projeto BEAMER e Diretor do Centro de Competências em Envelhecimento Ativo e Saudável (Porto4Ageing) da Universidade do Porto. “Para ultrapassarmos este desafio, precisamos de compreender melhor os fatores por trás da não adesão e trabalhar em estreita colaboração com os pacientes e os profissionais de saúde.”

Apesar dos estudos existentes sobre o aumento da adesão aos tratamentos em patologias específicas, existe ainda pouca informação sobre como o fazer de forma mais holística e generalizada. Para solucionar este problema, o projeto BEAMER propõe conhecer, de forma abrangente, os fatores que afetam a adesão dos pacientes, independentemente da área terapêutica, e promover o desenvolvimento de soluções com impacto em contexto real.

O projeto BEAMER está integrado no programa Innovative Medicines Initiative (IMI) e é, pela primeira vez, liderado por uma entidade portuguesa.

Criação de um modelo inovador

Para atingir estes objetivos, o projeto irá criar um modelo generalista dos fatores que influenciam os comportamentos face ao processo de adesão, baseado em teorias comportamentais. Isto permitirá à equipa identificar os principais fatores associados à não adesão e desenvolver orientações para a criação de soluções que vão diretamente ao encontro das necessidades dos pacientes. Assim, o modelo será adaptável, com contribuição de dados específicos para cada doença, de modo a aumentar a sua capacidade de previsão e otimizar as estratégias de apoio aos pacientes. Este nível de flexibilidade permitir-lhe-á continuar a ser genericamente aplicável e responsivo às constantes variações demográficas.

“Estamos extremamente entusiasmados com o potencial que o BEAMER tem para melhorar a adesão ao tratamento de pacientes com as mais variadas doenças, de todos os quadrantes da
sociedade”, afirma Claire Everitt, líder industrial do projeto BEAMER e líder da equipa de engenharia da Pfizer. “Os impactos positivos do desenvolvimento de melhores medicamentos e
métodos de diagnóstico perdem-se significativamente se os pacientes não seguirem o regime de tratamento prescrito. Esperamos que este projeto forneça as ferramentas que ajudarão a
indústria, médicos e sistemas de saúde a melhorar as taxas de adesão aos tratamentos, através da identificação e abordagem das necessidades dos pacientes”.