U.Porto e Fundação Amadeu Dias apostam em projetos inovadores

Desenvolvido na FEUP, o Cropeo é um dispositivo que permite proteger os cereais dos insetos e fungos, aumentando desta forma sua longevidade. (Foto: DR)

Quatro projetos de investigação liderados por investigadores da Universidade do Porto  foram recentemente distinguidos no âmbito da iniciativa BIP Proof, destinada a apoiar as equipas de investigação no desenvolvimento de provas de conceito das suas ideias. O financiamento – no valor de 10 mil euros e garantido com o apoio da Fundação Amadeu Dias – contempla tecnologias desenvolvidas na Faculdade de Engenharia (FEUP), no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e no Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI).

O projeto selecionado da FEUP chama-se Cropeo (na foto, à esquerda) e tem no comando a docente Margarida Bastos. Trata-se de um dispositivo simples que permite utilizar os óleos essenciais – extraídos de plantas, – nele inseridos para proteger os cereais e as leguminosas de fungos e insetos, assegurando assim o aumento da sua longevidade.

“É uma solução pouco dispendiosa e uma alternativa segura aos pesticidas sintéticos”, refere Margarida Bastos. De resto, nos testes efetuados até à data foram verificados resultados impressionantes: no contentor sem o Cropeo, o milho estava em decomposição; no contentor com três dispositivos o cereal estava em ótimo estado.

O projeto OBOOM, que tem a sua génese no ICBAS, também foi escolhido para esta ronda de financiamento. Trata-se de um biomarcador urinário que permite diagnosticar a competência de um músculo da parede da bexiga – o detrusor – em pacientes do sexo masculino com sintomas no aparelho urinário inferior. Atualmente, cerca de 30% dos homens com mais de 50 anos apresentam sintomas com intensidade moderada a baixa no seu aparelho urinário e os clínicos podem ter dificuldade em distinguir se a causa está na existência de obstrução infravesical ou falta de força do detrusor, a não ser que recorram a técnicas invasivas com cateterização da bexiga seguida de um estudo urodinâmico. Com o OBOOM será possível diagnosticar o grau de obstrução através de um ensaio bioquímico. Além disso, esta invenção tem a vantagem de permitir um teste fazer o teste não invasivo, sensível e rápido, facilitando o diagnóstico.

Os 10.000 euros de financiamento já têm destino e serão utilizados maioritariamente no “desenho de protótipos para os kits de medição rápida, bem como nos ensaios de validação laboratorial no que diz respeito à sensibilidade e especificidade do doseamento”, referem os investigadores.

Também no ICBAS foi selecionado o projeto Spermboost, de uma equipa liderada pelo investigador Marco Alves. Esta solução, que traz uma nova esperança a quem enfrenta problemas de fertilidade, passa por melhorar o modo de preservação dos espermatozoides, através de uma nova utilização de um composto. A equipa refere-se a este financiamento como uma “grande ajuda” para concretizar o plano e ganhar muito tempo: “O desenvolvimento de uma ideia tem associados riscos, custos e muito trabalho. Por isso, o facto de existir financiamento exclusivamente para o desenvolvimento da tecnologia é, sem dúvida, um passo importante”, refere Marco Alves.

Estima-se que pelo menos 50 milhões de casais em todo o mundo sofram ou venham a sofrer de algum tipo de problema de fertilidade, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Como consequência, a procura por técnicas de procriação medicamente assistida tem aumentado, mas a taxa de sucesso está longe de ser a desejável. A equipa do ICBAS acredita que esta invenção pode ajudar a dar um importante passo em frente na resolução deste problema, minimizando o investimento pessoal, económico e psicológico associado a este tipo de condição: “Se conseguirmos diminuir algumas destas variáveis isso será, sem dúvida, uma mais-valia para o mercado e para a sociedade”.

Ainda na área da saúde, foi escolhido o projeto MechALife (na foto, à esquerda). A invenção, que está a ser desenvolvida no INEGI, “propõe-se a disponibilizar uma evolução tecnológica das muletas e andarilhos através de um exosqueleto assistido para os membros inferiores”, refere Daniel Pina. Quando no mercado, o MechALife poderá melhorar a vida dos 20 milhões de pessoas da 3ª idade que sofrem de mobilidade reduzida moderada só na União Europeia. Para os investigadores, este financiamento é “essencial para demonstrar a tecnologia”.

Os 10.000 euros atribuídos ao MechALife serão aplicados nas peças em CNC e também na compra de componentes para construir um protótipo funcional da invenção.

Ainda este ano outros seis projetos tinham sido premiados no âmbito desta iniciativa e com o apoio do projeto U.Norte Inova. Tecnologias das Faculdades de Ciências e Engenharia da Universidade do Porto receberam um financiamento total no valor de 120.000 euros para a criação de provas de conceito.