Tecnologia de startup da UPTEC é infalível a detetar defeitos na produção têxtil

A tecnologia criada pela Smartex alerta os trabalhadores em caso de falha na malha de saída. (Foto: DR)

A Smartex criou uma tecnologia de visão computacional que deteta defeitos em têxteis em fase de produção. A startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto foi selecionada para integrar o HAX, do grupo de Venture Capital SOSV, o maior programa de aceleração de empresas de hardware do mundo.

O sistema da Smartex, que está a ser testado em ambiente real, em duas fábricas de malhas em Barcelos (a Rifertex e a João António Lima – Malhas), alerta os trabalhadores em caso de falha na malha de saída e, se a falha for cíclica, interrompe a produção. A tecnologia integra câmaras de espectro largo e respetivo sistema de iluminação multi-espetral, um algoritmo de visão por computador, uma unidade de processamento e sensores que recolhem dados das máquinas industriais e monitorizam a qualidade da produção em tempo real.

“A solução criada pela Smartex reduz, por um lado, os defeitos de produção para perto de 0%, diminui o desperdício e a produção têxtil defeituosa e, por outro, aumenta a competitividade e os índices de qualidade do setor.”, referiu Gilberto Loureiro, CEO e cofundador da Smartex.

A empresa foi fundada por Gilberto Loureiro,  António Rocha e Paulo Ribeiro, todos eles antigos estudantes da Faculdade de Ciências da U.Porto. (Foto: DR)

A seleção para o HAX, programa que recebe anualmente mais de 1000 candidaturas, valeu à startup incubada na UPTEC um investimento de 250 mil dólares (cerca de 220 mil euros). Ao abrigo do programa, a Smartex vai operar durante quatro meses em Shenzhen (China) e dois meses em S.Francisco (EUA).

Para Gilberto Loureiro, participar no programa é “uma oportunidade para acelerar a produção do produto. Shenzhen é a capital de hardware do mundo. É lá que as grandes empresas de hardware (como a Apple, DJI, Huawei entre outras) fazem a produção dos seus dispositivos e equipamentos”, salienta o engenheiro físico.

A ideia surgiu quando Gilberto trabalhava, durante o verão, em fábricas de tecelagem. Nessa altura, reparou que os defeitos produzidos nos têxteis representavam um grande problema para as empresas têxteis. Mais tarde, na Faculdade de Ciências da U.Porto, juntou-se a António Rocha, também engenheiro físico, e a Paulo Ribeiro, Engenheiro de Redes e Sistemas Informáticos, para fundar a Smartex.

Apoiada pelo Vodafone Power Lab, a Smartex foi fundada em 2018 e já recebeu a chancela de spin-off da Universidade do Porto.