Um trabalho de investigação clínica desenvolvido por Bruno Carvalho, estudante de doutoramento e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), foi distinguido com o Prémio Banco Carregosa/Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos (SRNOM), no valor total de 20 mil euros.

Em traços gerais, o trabalho premiado defende melhorias na seleção do tratamento e da monitorização terapêutica nos doentes com glioblastoma – tipo comum de tumor cerebral maligno – de modo a alcançar melhores prognósticos nas pessoas que sofrem com a doença.

“Este prémio reconhece a importância da realização de investigação relevante no contexto de uma doença oncológica grave, com prognóstico sombrio e para a qual são necessários avanços terapêuticos urgentes”, revela o autor.

De acordo com Bruno Carvalho, “o estudo desenvolvido teve o objetivo de identificar potenciais biomarcadores clínicos e tumorais de resistência e de resposta do tumor recorrente ao tratamento antiangiogénico”.

O médico neurocirurgião explica que os resultados alcançados suportam a hipótese de que “o desenvolvimento de efeitos adversos comuns nesta terapêutica se associa a maior controlo da doença, podendo ter um papel como marcadores de monitorização terapêutica clinicamente significativos”.

“A nível profissional, esta distinção realça o papel do médico como clínico, docente e investigador e das imprescindíveis pontes entre estruturas hospitalares, académicas e laboratórios de investigação, que permitam gerar conhecimento com o objetivo último de melhorar o prognóstico dos doentes com glioblastoma”, conclui Bruno Carvalho.

Realizado no âmbito do Programa Doutoral em Neurociências da FMUP, o projeto intitulado “Caracterização de fatores angiogénicos no glioblastoma: potencial aplicação como biomarcadores na terapêutica com bevacizumab” foi desenvolvido no serviço de Neurocirurgia do CHUSJ e no IPATIMUP/I3S – Grupo “Cancer Signalling and Metabolism“.

Sobre o Prémio Carregosa/SRNOM

Instituído em 2015, o Prémio Banco Carregosa/SRNOM tem como objetivo apoiar e incentivar a investigação científica na área clínica, em Portugal.

Este ano, a 5.ª edição do prémio distinguiu, igualmente, os investigadores Pedro Gouveia e Joana Barroso Monteiro (ambos com passado pela FMUP) com duas menções honrosas pelos trabalhos “Breast 4.0” e “Mecanismos Cerebrais de Dor na Osteoartrose”, respetivamente.

A entrega de prémios decorreu no passado dia 29 de abril, numa cerimónia realizada no Salão Nobre da SRNOM, com a presença de várias figuras da saúde, da política e da cultura nacional.