Tiago Costa

“Onde há uma empresa de sucesso, alguém tomou alguma vez uma decisão corajosa.”  A frase é de Peter Drucker, mas facilmente se aplica a Tiago Silva-Costa, CEO da VirtualCare (VC) e investigador do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS).

A VC é uma das spin-offs mais promissoras geradas no seio da Universidade do Porto, dedicando-se ao desenvolvimento de soluções informáticas aplicadas aos Sistemas de Saúde. A chegada à administração desta empresa veio na sequência de mais de quatro anos passados a gerir e a desenvolver os projetos da VC, sendo que cinco deles resultaram em produtos informáticos que já estão em funcionamento em vários hospitais portugueses – o VCIntegrator, o VCObsCare, VCBreastCare, o VCAnesthCare e o VCPsychCare.

De facto, depois de 14 anos a trabalhar no Departamento de Ciências da Informação e da Decisão em Saúde da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP) na área da Estatística e da Informática Médica, o salto para o mundo empresarial foi um ato de coragem. Mas a ligação ao mundo académico mantém-se através de uma estreita colaboração com o CINTESIS. Aliás, o empresário destaca que a ligação ao CINTESIS e à Universidade do Porto constituem duas importantes mais-valias para a VC, pelo apoio que a equipa de gestão do primeiro oferece e pela marca de qualidade e credibilidade que a segunda confere.

VCObsCare será instalado em todos os hospitais do Norte até ao fim de 2017

Licenciado em Ciências de Computadores pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Tiago Silva-Costa fez uma pós-graduação em Informática na mesma unidade orgânica, tendo posteriormente concluído o Mestrado em Informática Médica na FMUP. As funções de gestão que gradualmente assumiu, levaram-no ainda a procurar aprofundar conhecimentos na Escola de Gestão do Porto (EGP).

Define-se, portanto, como “um produto e um produtor com selo 100% U.Porto”. Nós acrescentamos que é um exemplo de como a U.Porto pode formar os melhores profissionais, criar produtos inovadores e lançar empresas e empresários de sucesso.

– Naturalidade?

Foz do Douro, Porto

– Idade?

37 anos

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Gosto da excelência do seu corpo docente, da sua qualidade de ensino e da forte aposta na investigação.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Continua a ser muito burocrática, com falta de partilha de conhecimento entre as várias faculdades. Julgo que a descentralização dos vários polos que a compõem contribui, em parte, para essa situação.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto? 

Em linha com a resposta  anterior, julgo que a centralização de todas as unidades orgânicas num único polo universitário com todas as faculdades que constituem a UP seria uma mais valia para a Universidade.

– Como prefere passar os tempos livres?

Nos tempos livres adoro viajar, principalmente de carro com a família. Gosto de praticar desporto, nomeadamente patins em linha, ténis e ski. Nos dias frios de inverno, prefiro assistir a um bom filme ou a uma boa série em casa no sofá.

– Um livro preferido?

Confesso que não sou um entusiasta da leitura, mas gostei bastante do “O Codex 632” de José Rodrigues dos Santos.

– Um músico / disco preferido?

Não tenho um em particular, gosto de todo o tipo de música.

– Um prato preferido?

Sendo um portuense de gema é claro que não podia deixar de referir a tradicional francesinha e as tripas à moda do porto. Mais recentemente, e num campo totalmente oposto aos dois primeiros, destaco o sushi.

– Um filme preferido?

Gosto muito de cinema, pelo que escolher só um filme é muito difícil… mas deixo como dica o “Seven Pounds”, com Will Smith, ou o “Drive”, com Ryan Gosling. No campo das séries, sem dúvida, “Game of Thrones”.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)? 

Das viagem já realizada, Nova Iorque sem dúvida. Tenho muitas viagens de sonho por realizar, mas se calhar destacava a mítica “Route 66” (entre Chicago e Los Angeles) e o Brasil.

– Um objetivo de vida?

Continuar a aprender com cada dia passado, com cada experiência vivida, com cada amigo e fazer com que cada barreira da vida seja uma fonte de conhecimento e de aprendizagem.

– Uma inspiração?

Steve Jobs, pela sua visão do futuro e principalmente por acreditar piamente nas suas ideias.

– Uma ideia para promover a qualidade da investigação na área da saúde na U.Porto?

Aplicabilidade prática. Cada vez mais me convenço de que a investigação médica terá cada vez mais frutos se tiver aplicabilidade prática no dia a dia dos profissionais de saúde. Transportando esta ideia para a minha área – a Informática Médica –  as aplicações de registos clínicos devem, para além de guardar os dados, ajudar os profissionais de saúde na sua prática diária, possibilitando a análise das informações recolhidas e a geração de novos conhecimentos que permitirão melhorar a prática da Medicina.