Inês Guimarães

É de forma descontraída e divertida que Inês Guimarães fala de matemática em cada vídeo que publica no seu canal do Youtube – MathGurl. Com 20 anos, esta estudante da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) é a autora do primeiro canal de Youtube sobre matemática em Portugal que conta já com mais de 46 mil subscritores.

As contas de somar têm acompanhado o percurso de Inês desde muito cedo. Foi no 7.º ano que se apaixonou pelos números, incentivada pelo seu professor. No ano seguinte estava a treinar para as Olimpíadas da Matemática, onde haveria de conquistar uma medalha de prata. Foi por isso com naturalidade que, quando chegou a altura de entrar na faculdade, escolheu a Licenciatura em Matemática na FCUP, onde ingressou em 2016.

Ao mesmo tempo que se envolvia a resolver “problemas desafiantes”, começou a interessar-se pela divulgação científica. Foi então que em 2015 decidiu criar o canal “MathGurl”, abordando diferentes áreas da matemática, usando o humor para comunicar.

Para além do seu canal do Youtube, a estudante já participou também em várias Ted Talks no evento Tedx. Inês também dá uso às suas capacidades de comunicar a matemática na sua vida “offine” na FCUP, pois faz parte do núcleo de estudantes “iNIGMA”, que tem como um dos seus principais objetivos desenvolver atividades de divulgação desta área.

Naturalidade? Guimarães

Idade? 20 anos

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Falando na minha faculdade em concreto (Ciências), gosto muito das instalações e da maior parte dos professores.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Honestamente, não me ocorre nenhum defeito em concreto para apontar. Gostaria que as várias faculdades fossem mais próximas, mas agora não se vai deitar abaixo e construir de novo…

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto? 

Promover mais atividades que permitam aproximar os estudantes das várias faculdades e dos professores ou dar a conhecer melhor a universidade a alunos do básico/secundário, bem como à sociedade em geral. Também acho que poderia ser benéfico começar a apostar num corpo docente mais jovem. E, sendo ainda mais específica, particular e picuinhas, gostava que os professores dessem mais motivação e intuição para certos resultados que nos ensinam, em vez de ser logo tudo completamente formal.

– Como prefere passar os tempos livres?

Gosto de caminhar, andar de bicicleta e desenvolver projetos criativos, onde incluo o YouTube (continuo a vê-lo como um hobby e não como um trabalho).

– Um livro preferido?

“O Trémulo da Carriça”. O autor é o meu pai, mas garanto que isso não influencia a escolha.

– Um disco/músico preferido?

Claude Debussy. E quase todas as bandas sonoras de filmes que alguma vez existiram…

– Um prato preferido?

Sushi e tudo aquilo que a minha mãe cozinha!

– Um filme preferido?

Interstellar (2014), de Christopher Nolan.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)? 

Islândia ou Nova Zelândia, mas vai ser difícil bater os três dias que passei em Orlando a andar em montanhas-russas de manhã à noite.

– Um objetivo de vida?

Fazer algo relacionado com matemática que tenha algum impacto nas pessoas; proporcionar bons momentos àqueles de quem mais gosto.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Se listasse e justificasse tudo aquilo que me inspira, o leitor iria adormecer a meio da leitura, mas seria muito injusto mencionar apenas uma inspiração, por isso, aqui vão algumas: os meus pais, o meu irmão, os meus professores, as pessoas talentosas que conheci graças às Olimpíadas de Matemática, alguns amigos, uma carrada de matemáticos (Euler, em particular), o criador do canal de youtube 3Blue1Brown e o fundador da Khan Academy.

–  Como surgiu o gosto pela matemática?

Sempre gostei de matemática, mas só comecei a dedicar-me a sério a partir do 7º ano de escolaridade. Nesse ano, tive um professor que puxou muito por mim e me motivou a estudar mais, e também comecei a consumir muita divulgação científica. A partir do ano seguinte, iniciei o treino para as Olimpíadas de Matemática, que consistiam em problemas desafiantes e não só na resolução mecânica de exercícios. Ao início eu era péssima naquilo, demorei a entender a lógica da coisa, mas foi das experiências que mais prazer me proporcionou e mais me fez crescer e perceber melhor a essência da matemática. A partir do 10º ano comecei a frequentar o Projeto Delfos, que consistia em estágios intensivos mensais para aprender mais matemática, onde tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e extremamente talentosas. Todas estas experiências fizeram com que a matemática passasse a ser algo central na minha vida.