Nascido em 1952, ano em que o cientista Corino de Andrade publica na revista Brain o artigo em que descrevia e caracterizava a Paramiloidose (ou Doença dos Pézinhos,) Jorge Sequeiros despertou cedo para os mistérios da Ciência e da Medicina. Deve-o aos livros de Júlio Verne e a obras biográficas de grandes cientistas mundiais. No seu quarto de juventude tinha um poster de Charlot e outro de Che Guevara, na secretária um recorte do jornal «Primeiro de Janeiro» com a legenda «A primeira foto de um gene». Começava aqui o fascínio pela Genética…

Formou-se em Medicina pela Universidade do Porto (1975) e especializou-se em Genética Médica no Johns Hopkins Hospital, nos Estados Unidos (1982-85). Ingressou no Hospital de Santo António em 1976, quando os cientistas Corino de Andrade e Paula Coutinho viajavam pelos Açores para estudar e caracterizar a Doença de Machado-Joseph. Mais tarde, em 1990, fez o doutoramento pelo ICBAS, com uma tese precisamente sobre a Doença de Machado-Joseph.

Jorge Sequeiros é considerado um dos nomes cimeiros da Genética Médica portuguesa dos últimos 30 anos. Médico geneticista, Professor Emérito da Universidade do Porto (U.Porto) e Professor Catedrático aposentado convidado do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS), teve uma ação preponderante na introdução da neurogenética, no estabelecimento da Genética Médica como especialidade em Portugal, e no aprofundamento das dimensões regulatórias, éticas e societais dos testes genéticos e da informação genética.

Criou, há 30 anos, para o que viria ser o IBMC (agora integrado no i3S), a UnIGENe (Unidade de Investigação Genética e Epidemiológica em Doenças Neurológicas), que ainda dirige. Foi também fundador e primeiro Presidente do Colégio de Especialidade de Genética Médica da Ordem dos Médicos, e da Sociedade Portuguesa de Genética Humana, Presidente da Comissão de Ética da Universidade do Porto, e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

Integrou diversos organismos científicos e profissionais nacionais e europeus na formulação de políticas públicas e profissionais em relação aos testes genéticos (nomeadamente da Comissão Europeia, na OCDE, e na Sociedade Europeia de Genética Humana), tendo sido Presidente da Comissão de Genética Humana na Direcção-Geral da Saúde.

O seu percurso é igualmente pautado pela forte mobilização em torno das dimensões assistenciais da Genética Médica: fundou e dirigiu o Centro de Genética Preditiva e Preventiva (CGPP) do IBMC, um centro de prestação de serviços à comunidade na área dos testes genéticos e do aconselhamento genético; criou e dirigiu o primeiro e único mestrado em Aconselhamento Genético do país (um dos poucos acreditados pelo European Board of Medical Genetics); e incentivou a capacitação de várias associações de apoio a pessoas e famílias que vivem com doenças genéticas em Portugal e no estrangeiro.

Nos tempos livres, Jorge Sequeiros dedica-se a ouvir música e a ler, principalmente autores portugueses ou de língua portuguesa e da América Latina, e aprecia particularmente fotografia e cinema. As viagens para locais ainda desconhecidos ou para revisitar cidades velhas conhecidas continuam a fasciná-lo, mas são os quatro netos que lhe enchem a alma.

Este mês, Jorge Sequeiros comemora 50 anos de vida científica, os 30 anos da UnIGENe e os 25 anos de testes genéticos no IBMC. A esta tripla comemoração junta-se o facto do CGPP ter obtido recentemente mais uma conquista a nível de qualidade: é o primeiro, e até hoje o único, laboratório nacional com testes genéticos baseados na sequenciação total do exoma acreditados pelo IPAC (Instituto Português de Acreditação). Tendo por base todos estes motivos para festejar, o CGPP organiza, a 29 de novembro, um simpósio sobre “Testes Genéticos em Contexto: pessoas, famílias, sociedade”, no i3S.

Naturalidade? Porto

Idade?

70 anos

– Do que mais gosta na Universidade do Porto?

Ver uma ligação cada vez maior entre a ciência e a cultura

– Do que menos gosta na Universidade do Porto?

Da perda de colegialidade e democracia interna que já teve. E, também como noutras universidades, a precaridade do emprego científico e docente, e o uso de jovens sem contrato ou a curto termo para preencher necessidades permanentes.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto? 

Uma política que fomente a interligação e complementaridade de saberes entre as “unidades orgânicas”

– Como prefere passar os tempos livres?

A ler e ouvir boa música, ou a ver bom cinema

– Um livro preferido?

Assim de repente, O Teu Rosto Amanhã, de Javier Marías

– Um disco/músico preferido?

As suites para violoncelo de Bach, pelo Mischa Maiski

– Um prato preferido?

Tom Yum, sopa tailandesa de camarão com especiarias

– Um filme preferido?

O Milagre de Milão, de V. De Sica

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)? 

Perú, Bolívia e norte da Argentina

– Um objetivo de vida?

Não deixar desfalecer os ideais da adolescência e juventude

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Maria de Lourdes Pintassilgo

– O projeto da sua vida…

Neste momento, ter mais tempo livre para a família, incluindo as três netas e o neto…

– Uma ideia para promover a investigação da U.Porto a nível internacional?

Maior apoio à publicação em domínio aberto da investigação produzida, uma medida simples que teria um grande impacto