Depois dos cinco primeiros títulos publicados, eis que surge Observar, de Desmond Morris. O que une Arte e Ciência é o mote para esta coleção dedicada ao celebrado zoólogo, etólogo e pintor inglês. É o primeiro projeto editorial do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP).

A alegria de observar o mundo

Publicado originalmente em 2006, Observar (Watching, no título original) tem aqui a sua primeira edição em português, sendo que a edição inglesa está também à venda no Reino Unido. “Vivi a minha infância rodeado de animais, diz Desmond Morris no prefácio. “Chegavam a partilhar o meu carrinho de bebé”. É um livro “sobre a alegria de observar o mundo”. Embora seja autobiográfico, não considera que seja sobre o próprio. “É sobre o que observei. Sem introspeções amarguradas, sem revelações sensacionalistas, sem viagens pretensiosas” para encontrar o seu “verdadeiro eu”.

O autor confessa-se “fascinado pelo mundo” que vê ao redor e pelo que conseguiu “registar ao longo de seis décadas de observação profissional, primeiro como estudioso do comportamento animal e, mais tarde, do comportamento humano.” Com ele, vamos perceber como funciona um “estúdio de televisão no jardim zoológico” e entrar numa “casa de gueixas em Quioto”. Visitar um “casino em Las Vegas”, com a mesma facilidade com que conhecemos uma “tribo remota em África”.

Admite ainda que, ao longo desta viagem, apreciou “demasiadas vezes o lado mais leve da vida”, assim como “as bizarrias mais excêntricas e as manias da humanidade”.

Observar é o quinto livro da coleção “Arte e Ciência”, o primeiro projeto editorial do MHNC-UP (Foto: DR)

Desmond Morris e o MHNC-UP

Natural do Wiltshire, onde nasceu em 1928, Desmond Morris desde cedo adotou os animais e a arte como as suas grandes paixões. O estudo dos animais levou-o a formar-se na Universidade de Birmingham, em 1951, e a prosseguir um doutoramento em Oxford. Em 1956, aceitou o cargo de diretor da unidade televisiva e de filmagens do Jardim Zoológico de Londres e, em 1959, assumiu o lugar de curador de mamíferos.

Em 1967, deixou o Zoo para se tornar diretor do Institute of Contemporary Arts e, nesse mesmo ano, foi publicado The Naked Ape (O Macaco Nu), um dos primeiros livros lançados nesta coleção. Em 1968, mudou-se para Malta, onde nasceu o filho Jason. Regressou a Oxford em 1974 e aí permaneceu, até 2019, altura em que, na sequência da morte da mulher, Ramona, se mudou para a Irlanda, para ficar junto da família. Aos 94 anos, Desmond Morris dedica-se ativamente à escrita e à pintura.

Publicou 48 artigos científicos, escreveu 80 livros e foi traduzido para 43 línguas. Entre 1956 e 1998, apresentou mais de 700 programas televisivos. Pintou também mais de 3400 quadros e apresentou 60 exposições individuais.

Em 2014, doou ao Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto o seu arquivo científico e, com ele, a preferência para que a sua editora portuguesa fosse a Arte e Ciência. Desde essa data, foram publicados os livros A Tribo do Futebol (com prefácio de José Mourinho), a reedição de O Macaco Nu , com uma nova tradução de Carla Morais Pires e prefácio de Jorge Rocha, e, com a mesma tradutora (que também assina este Observar), O Macaco Criativo.

O arquivo doado à U.Porto é composto por todos os seus livros publicados, respetivas traduções, registos e notas de investigação, correspondência, coleções de revistas científicas, artigos científicos, coleções de fotografias e negativos, gravações vídeo e áudio e artefactos vários.

Observar, de Desmond Morris, encontra-se à venda na Galeria da Biodiversidade , na Rua do Campo Alegre, e no polo central do MHNC-UP, com entrada pelo Jardim da Cordoaria. O livro está ainda à venda na loja da U.Porto.