Morreu Manuel Graça Dias, professor da FAUP

Manuel Graça Dias (Foto: Augusto Brázio)

Manuel Graça Dias, professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e “um dos mais eclécticos e coloridos arquitectos portugueses da sua geração”, morreu este domingo, aos 65 anos, vítima de doença prolongada.

Natural de Lisboa, onde nasceu e viveu até ao final da vida, Manuel Graça Dias (1953-2019) formou-se em 1977 em Arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL) e entre 1978-1981 foi colaborador, em Macau, do arquiteto Manuel Vicente. Em 1997, “muda-se” para o Porto, para integrar o corpo docente da FAUP, assumindo a regência de Teoria Geral da Organização e do Espaço, disciplina até então lecionada por Fernando Távora e Álvaro Siza, com a arquiteta Beatriz Madureira. Em 2009, doutorou-se na FAUP com a Tese Depois da cidade viária, sendo, desde 2015, Professor Associado.

“Entre o Porto e Lisboa havia uma distância apenas ao alcance do titânico Manuel Graça Dias. (…). Durante anos, foi o professor que nos levava em autocarro à ‘viagem ao Porto’ e o professor que nos chegava de táxi ao bar da FAUP, a sempre sua porta principal, por entre alunos. Às vezes vinha e trazia-nos os “alunos de Lisboa”. Todos nós, uns e outros, perante ele, ficávamos seres estranhos mas possíveis, seres que começavam. É essa a grandeza do Manel, a heterodoxia lúcida, assertiva que rompia com o preconceito sobre nós próprios. Ensinou-nos a Graça da Arquitectura, rindo-nos todos do quão sério era afinal a coisa mais importante entre nós, a vida”, recordam Daniela Sá e João Carmo Simões, arquitetos (Daniela Sá é também antiga estudante e atual professora convidada da FAUP), e fundadores da monade, editora sediada em Lisboa e no Porto.

Num breve comunicado publicado nas redes sociais, a FAUP manifesta igualmente “grande pesar” pelo desaparecimento de  Manuel Graça Dias, destacando “o valioso e excepcional contributo e entusiasmo que sempre incutiu à promoção da arquitectura e do seu ensino”.

Em paralelo com a docência, Graça Dias deixa também uma ampla e reconhecida obra arquitetónica, grande parte da qual desenvolvida em parceria com Egas José Vieira, com quem criou o atelier CONTEMPORÂNEA, em 1990. Com trabalhos construídos em Almada, Braga, Chaves, Guimarães, Lisboa, Porto, Vila Real, Macau, Madrid, Sevilha e Frankfurt , viu o conjunto da sua obra ser distinguida com o Prémio AICA/Ministério da Cultura. Entre as suas obras mais emblemáticas inclui-se o Teatro Municipal de Almada (Teatro Azul, 1998-2005), nomeado para o Prémio Secil, 2007, para o Prémio Mies van der Rohe, 2007 e para o Prémio Aga Khan, 2008/2010.

Comissário de diversas exposições e representações, autor de vários livros, escreveu inúmeros artigos de crítica e divulgação de arquitectura em jornais e revistas da especialidade. Foi autor do programa Ver Artes/Arquitectura na RTP2, colaborador da rádio TSF e do semanário Expresso. Foi diretor do Jornal Arquitectos, membro da direcção da Ordem dos Arquitectos e Presidente da Secção Portuguesa da Association Internacional des Critiques d’Art, SP/AICA.

Em 2006, foi agraciado pelo então Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

O velório de Manuel Graça Dias realiza-se esta segunda-feira, 25 de março, a partir das 18h00, na Basílica da Estrela, em Lisboa. O funeral sai terça-feira, 26 de março, às 15h30, da Basílica da Estrela para o Cemitério dos Olivais.