Jovem investigadora do INEB vence prémio internacional

Ana Ribeiro quer aplicar o conhecimento obtido em ouriços-do-mar no desenvolvimento de novas técnicas para a regeneração de tecidos humanos.

Ana Ribeiro, investigadora do Instituto de Engenharia Biomédica (INEB), da Universidade do Porto, é a vencedora da edição 2012 do prémio científico internacional Daniel Jouvenance, um galardão atribuído anualmente pela Institut de France Foundation a investigadores jovens de todo o mundo que se destaquem pelo seu trabalho nas áreas da química, biotecnologia marinha e oceanografia.

Aos 31 anos, Ana Ribeiro vê distinguido internacionalmente o projeto de investigação que tem desenvolvido no INEB, onde estuda a nanoestrutura do ligamento depressor do compasso (CDL), um tecido de colagénio mutável (MTC) característico dos equinodermes (ouriço-do-mar,  estrela-do-mar, entre outros) e a sua utilização como modelo para a regeneração de tecidos aplicada à medicina humana. Segundo se lê no comunicado oficial, o o galardão premeia a qualidade do trabalho, pela utilização da biodiversidade e pela abordagem de um modelo experimental original.

Para a cientista portuense, doutorada em Engenharia Biomédica pela Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP), o foco principal do projeto passa por tentar “compreender quais os mecanismos subjacentes à mutabilidade dos tecidos (MTC) e quais as moléculas responsáveis pelo seu dinamismo“. Este fenómeno é iniciado e governado pelo sistema nervoso do animal, através da secreção de proteínas que alteram as forças de coesão entre as fibrilas de colagénio que compõem o tecido.

Aplicar o conhecimento adquirido nos equinodermes à medicina humana é o próximo passo que se coloca no caminho da equipa de investigação coordenada por Mário Barbosa. “Há um conjunto de proteínas entre as fibrilas (de colagénio) que poderão ser a chave do processo”, avança o investigador, que acrescenta: “existe uma grande semelhança na estrutura, composição química bem como propriedades biomecânicas do tecido dos equinodermes quando comparado com os tecidos conjuntivos dos mamíferos”. No entanto, a maior parte dos biomateriais atualmente desenvolvidos e utilizados não conseguem adaptar-se ao ambiente estruturalmente dinâmico que caracteriza os tecidos e órgãos naturais.

Ana Ribeiro e os restantes investigadores querem assim compreender a forma como fibrilas e as proteínas envolvidas no processo de coesão se organizam e são controlados para, dessa forma, desenvolverem biomateriais com propriedades mecânicas dinâmicas à base de colagénio, material já muito aplicado no domínio da cirurgia estética, mas não só. Para Mário Barbosa, “existe um potencial real para a utilização desses biomateriais dinâmicos”, que poderá ir desde a “regeneração de tecidos conjuntivos e tecidos de cicatrização”, até “aplicações cosméticas” que envolvem tratamentos anti-envelhecimento.

A atribuição do prémio, no valor de 4 mil euros, foi decidida por unanimidade no Conselho do Institut de France – Sciences Academy. A entrega oficial do galardão decorreu esta terça-feira, dia 29 de Janeiro, em Paris.