Investigadora da U.Porto ensina jovens a gerir melhor a água

Rita Ruivo Marques é investigadora do LSRE-LCM (FEUP)  e do CIIE (FPCEUP) ).

A poluição das águas é um dos principais problemas ambientais, a nível global. Sensibilizada para essa questão, Rita Ruivo Marques,  investigadora do Laboratório de Processos de Separação e Reacção – Laboratório de Catálise e Materiais do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) e do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto (FPCEUP), lançou o projeto WaterCircle, sustentado na ideia de que a prevenção da poluição não pode ser vista apenas do ponto de vista tecnológico, mas também de um ponto de vista social.

Como podem, então, ser mudados os comportamentos ambientais da sociedade? E quem são os principais responsáveis pela poluição das águas? Que medidas devem ser implementadas? Para responder a estas e outras questões, Rita Ruivo Marques desenvolveu um projeto de intervenção educativa para educação ambiental que visa sensibilizar especialmente os mais jovens para a gestão e uso eficiente da água. Neste momento, o projeto está a ser aplicado em seis turmas – do 7.º, 8.º e 9.º anos  – da Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares.

Cerca de 150 jovens participaram , durante o último ano letivo, numa equipa de investigação com a investigadora da U.Porto. (Foto: DR)

Tudo começou em 2016, com os primeiros jovens participantes. Durante o ano letivo, os estudantes do ensino básico e secundário são desafiados a constituir uma equipa de investigação, numa metodologia participatória, com recurso à plataforma preferida pelos mais jovens: o instagram. O primeiro passo é a criação de uma conta de “Investigador Ambiental – IA”, sendo a rede social a ferramenta online para trabalho e comunicação entre a equipa do projeto. A ideia é que seja publicado conteúdo, entre imagens, notícias, que sensibilizem a comunidade para este problema ambiental.

O trabalho final resulta na apresentação pública de um conjunto de medidas para os diferentes protagonistas deste problema: cidadãos, governo e indústrias. Cerca de 150 alunos puderam, no início do mês de junho durante o fórum InvestigAmbiental (IA), propor soluções junto dos intervenientes. Considerando a existência de poluentes emergentes – amoxicilina e diclofenac – na água potável, os jovens do ensino secundário apresentaram uma lista de medidas, entre as quais informar os cidadãos sobre os efeitos dos compostos, legislar sobre os limites de descargas no ambiente, propor às indústrias farmacêuticas que sejam utilizados compostos com menor estabilidade química.

“Acredito que o WaterCircle, envolvendo as várias partes implicadas, desde a sociedade civil aos atores com maior responsabilidade e com poder de decisão nestas matérias, pode trazer uma abordagem ao tema de forma mais sistémica”, aponta Rita Ruivo Marques. Para isso, ” pretende-se sugerir uma forma de implicar a sociedade na consulta, na discussão e na decisão para a resolução de um problema que diz respeito a todos, de forma mais democrática e informada”, acrescenta a investigadora.

Os jovens apresentaram medidas para a gestão e uso eficiente da água durante o fórum InvestigAmbiental2018. (Foto: DR)

Nesta fase, está previsto mais um ano de intervenção educativa, na mesma escola, em Vila Nova de Gaia. O objetivo, no futuro, é o alargamento do projeto a um maior número de escolas, especialmente com ações de formação dirigidas a professores, para que estes possam implementar a estratégia do WaterCircle.

O projeto WaterCircle integra a investigação de pós-doutoramento de Rita Ruivo Marques, que tem orientação científica de Joaquim Faria, do Laboratório de Processos de Separação e Reacção – Laboratório de Catálise e Materiais da FEUP, e de Isabel Menezes, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da FPCEUP.