“Artivismo”. Assim define António Baía Reis a essência da sua instalação performativa que junta três variantes artísticas – música, teatro e vídeo arte. A apresentação do projeto do estudante do Programa Doutoral em Media Digitais da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) teve lugar no passado mês de novembro, no Funchal, a convite do Conselho de Cultura da Universidade da Madeira.

“Uma escultura deixada ao esquecimento” convida a uma reflexão sobre questões sociais que remontam as últimas três décadas do século XX na Madeira, tendo como fonte de inspiração a obra do artista madeirense António Rodrigues.

A escultura “Rendimento Diário”, produzida por António Rodrigues em 1997, é uma “obra esquecida e desmantelada” que espelha a realidade vivenciada na vila piscatória de Câmara de Lobos. “Algumas das crianças de famílias pobres desta vila madeirense foram obrigadas à mendicidade pelos seus familiares, levando a contornos mais sombrios como o seu desaparecimento, a prostituição infantil e a pedofilia”, contextualiza António Baía Reis.

Com o intuito de trazer esta escultura novamente para a esfera pública, o estudante da FEUP conferiu à sua instalação performativa um forte caráter de intervenção social através de uma combinação de elementos musicais, teatrais e pictóricos, com recurso a som, voz e cor.

Questionar o impacto do turismo nas comunidades locais

Esta instalação surge na sequência do trabalho de investigação que António Baía Reis tem vindo a desenvolver na Madeira desde 2017, tendo inicialmente assumido apenas a forma de documentário em vídeo 360°. É igualmente parte integrante da temática do seu projeto doutoral em Media Digitais na FEUP, intitulado “Immersive media, social change, and creativity: a framework for designing collaborative 360° video productions”.

“Com um foco no estudo da relação entre media imersivos, mudança social e criatividade no contexto de produções de vídeo 360° de caráter colaborativo, o projeto de doutoramento que irei apresentar em breve foi produzido em diferentes países da Europa e aborda temáticas como o impacto do turismo nas comunidades locais e segregação social de imigrantes”, explica o estudante, que é igualmente docente e investigador na FEUP nas áreas de comunicação, inovação e criatividade.

Afirmando-se na área da arte experimental, António Baía Reis ambiciona permanecer no universo académico, combinando dinamicamente as suas atividades como investigador, docente e artista multidisciplinar.

“A partir dos meus projetos de investigação, pretendo derrubar barreiras e instigar a integração de disciplinas e linguagens distintas, encontrando soluções criativas através de uma abordagem colaborativa e interdisciplinar”, conclui.