Fundação Marques da Silva acolhe acervo de Fernando Lanhas

Arquiteto, pintor, desenhador, poeta, arqueólogo, astrónomo e colecionador por vocação, Fernando Lanhas recebeu, em 2005, o título de Doutor Honoris Causa da U.Porto. (Foto: U.Porto)

Foi assinado este sábado, o Contrato de Doação do acervo de Fernando Lanhas à Fundação Marques da Silva (FIMS). Seis anos após a sua morte, o arquiteto e pintor portuense junta-se assim a outros grandes nomes da arquitetura portuguesa, como o próprio José Marques da Silva, Fernando Távora, José Carlos Loureiro, ou Alcino Soutinho, que também confiaram a sua memória” documental à FIMS.

Realizada em pleno dia Internacional dos Museus, a sessão teve como ponto alto a inauguração, na Casa-Atelier José Marques da Silva, da exposição “e-Nunciar Fernando Lanhas: Tópicos Desenhados”, a partir da qual se procura dar a conhecer uma primeira mostra sobre o acervo de arquitetura de Fernando Lanhas.

Exposição focada no acervo de arquitetura de Fernando Lanhas vai estar patente até 18 de junho, na Casa-Atelier José Marques da Silva. (Foto: FIMS)

Com curadoria de Luís Viegas, Rui Américo Cardoso (ambos investigadores do DiPDArq/MDT/ Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (CEAU-FAUP) e Catarina Alves Costa (doutoranda da FAUP), e reunindo registos maioritariamente inéditos, a exposição responde, segundo a FIMS, ao desafio de, a partir da documentação doada à Fundação, “reinterpretar o pensamento e processo de projeto de um arquiteto invulgar, pela constelação de domínios que suscitaram o seu interesse e ação, pela permanente inquietação, pela vontade de tudo compreender”.

O resultado é então um “roteiro “construído de modo a reconhecer as qualidades criativas de Fernando Lanhas e que propõe aos visitantes “uma proposta de leitura que mais do que um ponto de chegada é um ponto de partida para novas e continuadas investigações”. Com entrada livre, a exposição vai ficar patente ao público até 18 de junho,  podendo ser visitada, de segunda a sexta-feira, entre as 14h30 e as 17h00.

A inauguração de “e-Nunciar Fernando Lanhas: Tópicos Desenhados” foi assim o momento simbolicamente escolhido para formalizar a doação de mais um importante núcleo documental à Fundação Marques da Silva. Um facto realçado por Luís Urbano, Vice-Presidente da FIMS, que enalteceu o significado que este gesto adquire no contexto do Centro de Documentação da instituição e da Universidade do Porto. Em representação da família de Fernando Lanhas esteve presente o filho, Pedro Lanhas, que sublinhou por sua vez a “surpresa e o contentamento “de estar a (re)descobrir a obra do pai.

Sobre Fernando Lanhas

Natural do Porto, onde nasceu a 16 de setembro de 1923, Fernando Lanhas (1923-2012) ingressou em 1941, no Curso Especial de Arquitetura da Escola de Belas Artes do Porto, antecessora das atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da Universidade do Porto. Em 1947, matricula-se no Curso Superior de Arquitetura da ESBAP, o qual terminará dois anos depois, com a classificação de 19 valores.

Estudante atento e empenhado, dirigiu o Grupo de Estudantes de Belas Artes da ESBAP, onde teve como colegas Nadir Afonso e Júlio Pomar, com quem conversava sobre Arte. Foi também naquela escola que começou a pintar quadros figurativos, que rapidamente se transformaram em obras abstratas.

A ligação à Arquitetura e às Belas Artes seria de resto uma marca que acompanharia todo o percurso do homem que um dia disse que “O Homem, como fenómeno, continua-se na Arte”. Influenciado pela escola Bauhaus, notabilizou-se na projeção de obras como o projeto nunca realizado da Casa do Espaço (1958-1962), o Pavilhão de Exposições de Matosinhos (1964), ou o Museu Monográfico de Conímbriga (1982). Já enquanto pintor, é tido como um dos pioneiros da abstração geométrica em Portugal.

Homem de múltiplos interesses, Fernando Lanhas foi também desenhador, poeta, arqueólogo, astrónomo e colecionador por vocação. Uma versatilidade que lhe confere um legado único, que a U.Porto distinguiu, em abril de 2005, com o título de doutor Honoris Causa, por proposta da FBAUP.

Sobre a Fundação Instituto José Marques da Silva

Instituída pela Universidade do Porto em 2009, a Fundação Instituto José Marques da Silva (FIMS) tem como missão a classificação, preservação, conservação, investigação, estudo e divulgação de todo o património artístico e arquitetónico do arquiteto José Marques da Silva. Compete-lhe ainda a promoção do acervo literário, artístico, arquitetónico e urbanístico dos arquitetos Maria José Marques da Silva Martins e David Moreira da Silva, bem como o acolhimento de outros fundos ou unidades documentais de valor patrimonial, histórico, científico, artístico ou documental ligados , preferencialmente, à arquitetura e ao urbanismo portuenses.