Provas de Doutoramento em Psicologia - Andreia Alexandra Cunha Azeredo

Sex28Jun14:30Sex16:00Provas de Doutoramento em Psicologia - Andreia Alexandra Cunha Azeredo14:30 - 16:00(GMT+01:00) FPCEUP - Auditório 1Tipo de eventoProvas académicasLocalFaculdade de Psicologia e Ciências da Educação

Detalhes

Apreciação da tese intitulada “Violência no Namoro: Influência de Traços Psicopáticos e da Cognição Social”.
Prova de doutoramento no ramo de Psicologia, requeridas pela Mestre Andreia Alexandra Cunha Azeredo.


Equipa de orientação:
Doutor Manuel Fernando dos Santos Barbosa, Professor Associado da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto

Júri:
Presidente: Doutor Jorge Nuno Negreiros de Carvalho, Professor Catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Vogais:
Doutor Ricardo Nuno Serralheiro Gonçalves Barroso, Professor Associado da Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro.
Doutora Raquel Maria Navais de Carvalho Matos, Professora Associada da Universidade Católica Portuguesa.
Doutora Celina Paula Manita Santos, Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Doutor Manuel Fernando dos Santos Barbosa, Professor Associado da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto – orientador.

A sessão é pública e de acesso livre a todas as pessoas interessadas.


RESUMO

A violência nas relações de intimidade tem sido alvo de investigação científica nos últimos anos, principalmente em adultos. A investigação em adolescentes tem-se focado na prevalência, sem explorar adequadamente os fatores preditivos. Tendo em conta esta insuficiência da literatura, no presente trabalho procurou-se analisar a relação entre traços psicopáticos e violência nas relações de intimidade em adolescentes, bem como o eventual papel mediador da empatia e da agressividade em geral nessa relação. Além disso, exploraram-se os correlatos neurofisiológicos da empatia e da exposição a comportamentos agressivos nas relações de intimidade na tentativa de analisar a sua importância na perpetração de violência nas relações de intimidade. Os resultados revelaram que maiores níveis de psicopatia, especificamente do traço grandioso- manipulativo e impulsividade-irresponsável, estão associados a níveis de violência de maior gravidade nas relações de intimidade entre adolescentes. Adicionalmente, sugerem que as dimensões de empatia (cognitiva e afetiva) e a tendência geral para a agressividade desempenham um papel mediador na associação entre o traço grandioso- manipulativo e a violência nas relações de intimidade. Embora os resultados neurofisiológicos tenham sido inconclusivos, indicando a ausência de diferenças nos potenciais cerebrais em resposta a estímulos indutores de empatia em comparação com estímulos de controlo, os dados comportamentais (ratings) revelaram associações positivas significativas com os traços psicopáticos, especificamente a dimensão grandioso-manipulativo e frieza emocional. Este estudo contribui para acumular conhecimento sobre os fatores subjacentes à violência nas relações de intimidade em adolescentes, destacando a importância de traços psicopáticos na explicação da violência neste contexto, bem como o papel da empatia e dos comportamentos agressivos gerais como mediadores significativos da relação de traços psicopáticos específicos com a violência nas relações de intimidade dos adolescentes. O recurso a abordagens multinível, como a que caracterizou este trabalho, com recolha de dados neurofisiológicos, de autorrelato e comportamentais, fornecem uma perspetiva mais abrangente sobre o possível papel de múltiplas variáveis e a sua interação na explicação de fenómenos complexos, como é o caso da violência nas relações de intimidade.
Palavras-chave: adolescentes, traços psicopáticos, empatia, violência nas relações de intimidade


ABSTRAT

In recent years, intimate partner violence (IPV) has been the subject of scientific investigation, particularly in adults. Research with adolescents have been focused on the prevalence, without adequately exploring predictive factors. Having in mind this literature gap, this thesis sought to analyze the relationship between psychopathic traits and IPV among adolescents, as well as the potential mediating role of empathy and general aggression in this relationship. Additionally, the neurophysiological correlates of empathy and the exposure to aggressive behaviors in intimate relationships were explored to analyze their relevance to perpetration of IPV. It was found that higher levels of psychopathy, specifically the grandiose-manipulative and impulsivity- irresponsibility traits, are associated with more severe levels of IPV among adolescents. Furthermore, the results suggest that the cognitive and affective dimensions of empathy as well as the general tendency towards aggression act as mediators in the relationship between the grandiose-manipulative trait and IPV. Although neurophysiological results were inconclusive, with the absence of differences in brain potentials in response to empathy-inducing stimuli compared to control stimuli, behavioral data (ratings) revealed significant positive associations with psychopathic traits, specifically grandiose-manipulative and callous-unemotional. The work developed under this thesis contributes to increase the scientific knowledge on the underlying factors of IPV among adolescents. It highlights the importance of psychopathic traits to explain this specific form of violence, as well as the role of empathy and general aggressive behaviors as significant mediators of the relationship between specific psychopathic traits and IPV of young individuals. The use of multi-level approaches, as the one that was adopted in this thesis, combining neurophysiological, self-report, and behavioral data, provides a comprehensive perspective on the possible role of multiple variables and their interaction in explaining complex phenomena, such as the IPV.
Keywords: adolescents, psychopathic traits, empathy, intimate partner violence


RESUMÉE

Au cours des dernières années, la violence entre partenaires intimes (VPI) a fait l’objet d’investigations scientifiques, en particulier chez les adultes. La recherche auprès des adolescents s’est concentrée sur la prévalence sans explorer adéquatement les facteurs prédictifs. Conscient de cette lacune dans la littérature, cette thèse a visé à analyser la relation entre les traits de psychopathie et la VPI chez les adolescents, ainsi que le rôle médiateur potentiel de l’empathie et de l’agression générale dans cette relation. De plus, les corrélats neurophysiologiques de l’empathie et l’exposition aux comportements agressifs dans les relations intimes ont été explorés pour analyser leur pertinence dans la perpétration de la VPI. Nous avons constaté que des niveaux plus élevés de psychopathie, en particulier les traits de grandiosité-manipulation et d’impulsivité- irresponsabilité, sont associés à des niveaux plus graves de VPI chez les adolescents. De plus, les résultats suggèrent que les dimensions cognitive et affective de l’empathie, ainsi que la tendance générale à l’agression, agissent en tant que médiateurs dans la relation entre le trait de grandiosité-manipulation et la VPI. Bien que les résultats neurophysiologiques soient inconclusifs, avec l’absence de différences dans les potentiels cérébraux en réponse aux stimuli inducteurs d’empathie par rapport aux stimuli de contrôle, les données comportementales (évaluations) ont révélé des associations positives et significatives avec les traits de psychopathie, en particulier la grandiosité-manipulation et l’insensibilité-affectueuse. Le travail développé dans le cadre de cette thèse contribue à accroître les connaissances scientifiques sur les facteurs sous-jacents de la VPI chez les adolescents. Il met en évidence l’importance des traits de psychopathie pour expliquer cette forme spécifique de violence, ainsi que le rôle de l’empathie et des comportements agressifs généraux en tant que médiateurs significatifs de la relation entre des traits de psychopathie spécifiques et la VPI chez les jeunes individus. L’utilisation d’approches multi-niveaux, comme celle adoptée dans cette thèse, combinant des données neurophysiologiques, des auto-déclarassions et des données comportementales, offre une perspective complète sur le rôle possible de multiples variables et de leur interaction dans l’explication de phénomènes complexes, tels que la VPI.
Mots-clés: adolescents, traits psychopathiques, empathie, violence entre partenaires intimes

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