Serão os gémeos monozigóticos exatamente iguais? O que distingue estes irmãos, também conhecidos como “verdadeiros”? Poderá a lente de um fotógrafo captar as diferenças que a Medicina conhece? Foi para fazer “luz” sobre estas e outras questões que nasceu a exposição “Gémeos Monozigóticos: idênticos, mas nunca iguais”, de Alexandra Matias, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), e do fotógrafo Tiago Martins.

A cerimónia de inauguração, que decorreu esta quarta-feira, dia 10 de novembro, na FMUP, contou com a presença de Altamiro da Costa Pereira, diretor da Faculdade, Francisco Cruz, subdiretor da FMUP, e de Fernando Araújo, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), entre dezenas de outras individualidades que quiseram também associar-se ao tributo rendido a Nuno Montenegro.

De acordo com Altamiro da Costa Pereira, a quem apraz esta articulação entre a Medicina e a Cultura, a iniciativa constitui “uma justa homenagem” à figura do antigo estudante e professor da FMUP falecido em setembro passado. Recordando-o como “uma pessoa extremamente entusiasta”, o diretor espera que o seu exemplo e a sua força perdurem.

Sobre a exposição propriamente, o responsável lembrou que “os gémeos celebram a força da vida, dada pelos genes, mas também a força do ambiente, que transforma dois seres aparentemente iguais em seres diferentes”. E destacou, em particular, a fotografia de uma peça que representa os gémeos Rómulo e Remo, da mitologia romana, cuja simbologia remete para as ideias de força, fertilidade e futuro.

O diretor da FMUP recordou Nuno Montenegro como “uma pessoa extremamente entusiasta”. (Foto: FMUP)

Durante a inauguração, Fernando Araújo, do CHUSJ, referiu que a Faculdade de Medicina e o Hospital também são como “gémeos”, elogiou a exposição e o livro de Alexandra Matias, “que fez algo inovador e diferenciador”, e prestou igualmente o seu tributo à memória de Nuno Montenegro.

Para Alexandra Matias, “fazia todo o sentido” que Nuno Montenegro estivesse associado a esta iniciativa, tendo sido, como foi, “uma pessoa muito importante na sua vida” e na de muitos profissionais de saúde.

Ainda segundo a professora da FMUP, esta exposição é fruto da ligação virtuosa entre Medicina e Arte, que torna os médicos “mais empáticos”, enfim, “melhores médicos”, como mostram, de resto, vários estudos científicos publicados internacionalmente.

A iniciativa surgiu na sequência do livro Developmental and Fetal Origins of Differences in Monozygotic Twins, editado, em 2020, por Alexandra Matias e Isaac Blickstein, falecido no ano passado. A obra será apresentada pela professora da FMUP, pela primeira vez, a nível mundial, esta sexta-feira, dia 12 de novembro, no Congresso da International Society for Twin Studies (ISTS), que irá decorrer em Budapeste.

O autor das fotografias do livro e da exposição, Tiago Martins, recordou, a propósito, que o objetivo deste projeto foi mostrar como os gémeos monozigóticos, embora idênticos, podem ser, de facto, diferentes. O fotógrafo chamou a atenção, em particular, para as diferenças nas expressões faciais, nas emoções e nas personalidades, captadas pela sua lente profissional.

Com entrada livre e gratuita, a exposição “Gémeos Monozigóticos: idênticos, mas nunca iguais” estará patente no Átrio dos Estudantes da FMUP (piso 01) até ao dia 28 de janeiro de 2022.