FAUP lança livro sobre operação SAAL dirigida por Álvaro Siza

Álvaro Siza e Torres nos trabalhos de levantamento do terreno para a construção da primeira fase, Sr.ª das Dores, em S. Victor (Foto: Arquivo MoMA)

No mês em que se assinalam os 45 anos do 25 de abril, a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) lança o segundo volume da sua colecção sobre o Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), em vigor entre 1974 e 1976, dedicado ao projeto de S. Victor, dirigido pelo arquiteto Álvaro Siza. O livro é apresentado a 23 de abril, às 18h30, na FAUP, numa sessão que conta com uma conferência do arquitecto Álvaro Siza e intervenções dos arquitetos Alexandre Alves Costa, Carlos Machado e Sergio Fernandez.

O projecto editorial ‘Cidade Participada: Arquitectura e Democracia – Operações SAAL’ é uma colecção composta por dez volumes sobre o SAAL que pretente documentar, estudar e divulgar um conjunto diversificado de processos, projetos e bairros, e contribuir não só para um conhecimento mais completo da arquitetura portuguesa do pós-25 de Abril de 1974, como também para a discussão sobre a construção da cidade contemporânea. Desenvolvido no seio do grupo de investigação Arquitectura: Teoria Projecto História do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo (CEAU) da FAUP, cada volume é circunscrito a uma operação ou a um grupo de operações SAAL, de acordo com a área geográfica em estudo, e é coordenado por uma equipa de investigadores reunida especificamente para cada caso.

O segundo livro da coleção é coordenado pelos arquitetos Ana Alves Costa, Ana Catarina Costa e Sergio Fernandez, e conta com o apoio da Câmara Municipal do Porto. O projeto de S. Victor foi dirigido pelo arquiteto Álvaro Siza e numa primeira fase, também, pelo arquiteto Domingos Tavares; nela participaram também os arquitetos Francisco Guedes, Eduardo Souto de Moura, Manuela Sambade, Adalberto Dias, Paula Cabral e Graça Nieto Guimarães.

A operação de S. Victor reveste-se de especial importância, sobretudo pelo ensaio e desenvolvimento de uma metodologia de intervenção que permitisse atender a um contexto muito. O livro reúne documentos nunca publicados em Portugal que permitem reconstituir o processo e o projecto, assim como reflexões de vários autores, que, escritas em vários tempos, propõem uma síntese, permitindo uma leitura contemporânea sobre aquela operação.

A entrada é livre, mas sujeita à lotação da sala.

Esquisso do arquiteto Álvaro Siza da Sr.ª das Dores, S. Victor (Imagem: Arquivo Alexandre Alves Costa).

O primeiro volume da coleção ‘Cidade Participada: Arquitectura e Democracia – Operações SAAL’ incidiu sobre o Projecto SAAL/ Oeiras e foi coordenado pelos arquitetos Carlos Machado e Ricardo Santos. A publicação contou com o apoio do Município de Oeiras.

O Serviço de Apoio Ambulatório Local – SAAL constitui-se como um dos mais marcantes processos da arquitetura do século XX, com um carácter profundamente experimental. Criado por Despacho publicado a 6 de agosto de 1974, o SAAL visava “apoiar, através das Câmaras Municipais, as iniciativas da população mal alojada, no sentido de colaborarem na transformação dos próprios bairros”.  O serviço foi definido como um corpo técnico que englobava também equipas multidisciplinares especialmente contratadas, designadas por equipas ou brigadas técnicas. Ao SAAL cabia a seleção dos casos, a avaliação da viabilidade urbanística, o traçado urbanístico e de loteamento, a elaboração de projetos de habitações e infraestruturas, e a assistência no lançamento e fiscalização das empreitadas de construção e na gestão social das organizações dos moradores. Às Câmaras competia o controlo urbanístico da localização e cedência dos solos. Se num primeiro momento se previa que fossem as Câmaras os interlocutores diretos das populações, a falta de regulamentação e a defesa de um processo mais célere levou a que fosse o SAAL a assumir esse papel.

Implementado em pleno processo revolucionário, o SAAL contemplava a iniciativa e a participação dos moradores organizados e a “apropriação de locais valiosos pelas camadas populares nele radicadas sob forma marginal”, princípios inovadores que permitiram que a actividade dos arquitectos estivesse articulada com os movimentos sociais, fazendo desta experiência um momento ímpar de defesa do “direito à cidade”.

Mais informações em www.fa.up.pt.